Bancos testam impressão digital para clientes
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quarta-feira, 27 de outubro de 2004
Sheila DAmorim<br>Agência Estado 
Brasília - Apesar de comemorarem a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de transferir para o correntista a responsabilidade pela comprovação da culpa dos bancos no caso de saques indevidos em conta corrente, as instituições financeiras deverão investir mais na segurança dos sistemas de identificação da clientela.
Segundo Juarez Lopes Cançado, diretor da Associação Brasileira de Bancos Estaduais e Regionais (Asbace), entidade representativa de bancos públicos e privados, as instituições estão retomando o projeto de utilização da impressão digital nos caixas automáticos para confirmar que é mesmo o correntista que está fazendo a operação.
''A tendência é de evoluirmos para um big brother clássico, onde tudo será monitorado e confirmado pela biometria'', afirmou Cançado, referindo-se ao monitoramento via câmeras de vídeo nos caixas 24 horas, que deverá ser reforçado pela identificação via impressão digital. Segundo ele, há cerca de três anos os bancos fizeram um piloto dessa tecnologia em caixas automáticos. Foi um fracasso. ''Houve uma grande resistência na época que, hoje, acreditamos estar superada. Além disso, tivemos problemas de tecnologia que, de lá para cá, evoluiu muito'', disse, referindo-se ao fato de os equipamentos de identificação serem muito sensíveis a movimentos das mãos durante a coleta da impressão digital.
Para o diretor da Asbace, ''essa realidade está muito mais próxima do que se imagina''. Apesar do avanço tecnológico invadir a intimidade das pessoas, ele acredita que o nível de insegurança a que a população está exposta hoje faz com que os clientes bancários estejam dispostos ''a abrir mão um pouco da sua privacidade em benefício da segurança''.
Cançado defende que o nível de segurança atual dos sistemas dos bancos já é grande e que raramente os problemas de movimentação indevida de recursos é culpa da instituição. ''Infelizmente, muitos clientes não sabem usar direito os cartões magnéticos e alguns confiam senha a colegas ou pedem ajuda de estranhos. Isso está mudando'', disse, admitindo que grande parte dessas fraudes é consequência da insegurança geral em que a população vive.


