Bancos terão mais dinheiro para crédito BC reduz valores que ficavam retidos compulsoriamente e pretende, com isso, incentivar queda nas taxas de juros Lindauro Gomes/Agêncai EstadoEMPURRÃO PARA BAIXO Agência Folha De Brasília O Banco Central deu um novo alívio ao caixa dos bancos para incentivar reduções nas taxas de juros cobradas dos tomadores finais de crédito, principalmente no cheque especial e em empréstimos pessoais. No final deste mês, os bancos terão mais cerca de R$ 3 bilhões disponíveis para aplicar livremente, incluindo a concessão de novos créditos. O dinheiro que está sendo liberado ficava compulsoriamente retido no BC. Pela regra antiga, os bancos tinham de recolher ao BC 65% dos saldos das contas correntes de seus clientes, os chamados depósitos à vista. Com a nova regra, passam a recolher 55%. O diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, disse que deverão ocorrer maiores reduções nas taxas cobradas no cheque especial porque essa linha de crédito está diretamente ligada às contas correntes. Mas ele disse esperar quedas também nas taxas cobradas nos demais empréstimos a pessoas físicas e no crédito às pessoas jurídicas. ‘‘Não é possível quantificar a queda, mas esperamos algo parecido com o que ocorreu na última redução dos compulsórios, em setembro do ano passado.’’ Naquele mês, a taxa média anual cobrada no cheque especial estava em 161,61% (8,34% ao mês), contra 145,11% (7,76% ao mês) em janeiro passado. A redução do chamado depósito compulsório entra em vigor a partir de 28 de março, para cerca de metade dos bancos, e no dia 31 de março, para os demais. ‘‘Mas os juros devem cair antes disso porque, sabendo que o depósito compulsório será menor, os bancos devem anunciar reduções já,’’ disse. Ele enfatizou que o único objetivo do BC com a medida anunciada ontem foi reduzir os juros aos tomadores finais de crédito, e não promover um afrouxamento da política de juros e de controle das taxas de inflação. A medida foi anunciada após a divulgação de índices favoráveis de inflação, quando ganhou corpo no mercado financeiro as apostas sobre a queda dos juros básicos da economia, hoje em 19% anuais. O IPCA fechou em 0,13% em fevereiro, abaixo das expectativas. Desde a desvalorização do real, em janeiro de 99, a política de juros é orientada para o cumprimento da meta de inflação, que deve ficar entre 4% e 8% neste ano. A redução do compulsório é, de certa forma, um alívio na política de juros, mas Figueiredo disse que a medida de ontem não tem relação com o IPCA favorável. Ele reconheceu, entretanto, que a queda do compulsório tem influência sobre a inflação, mas de forma indireta. Para ele, o afrouxamento do compulsório pode ampliar o crédito, estimulando o crescimento da economia e pressionando os índices de preços.

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