Levantamento realizado pela EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores, com base em dados do Banco Central (BC), mostra que a desvalorização acelerada do real e os juros altos propiciaram lucros extraordinários para os bancos. Os maiores beneficiados foram bancos de capital estrangeiro como o BankBoston e o Citibank.
O BankBoston registrou no primeiro trimestre rentabilidade sobre recursos próprios (patrimônio líquido) anualizada próxima a 100% (97,8%), seguido pelo Citibank, com 53,2%. Dos bancos nacionais, o que se saiu melhor em termos de rentabilidade foi o Itaú, com 34,2%. Carlos Daniel Coradi, presidente da EFC, observa que os bancos no Brasil demonstram ‘‘capacidade’’ de se adaptar às circunstâncias e ganham dinheiro ‘‘com ou sem inflação’’.
O estudo demonstra também que está havendo concentração no sistema financeiro nacional. Hoje o Brasil tem menos de 200 bancos. Já teve mais de 500. Em março, os dez maiores bancos eram responsáveis por 96% das agências, 97% do número de funcionários, 72% dos ativos totais e 66% do patrimônio líquido. Os 50 maiores bancos geravam 491 mil empregos, ou seja, 97% de um total de 507 mil postos de trabalho.
Bradesco e Itaú O Bradesco concedeu mais crédito, obteve maior retorno com transações financeiras e aumentou seus ganhos com os serviços prestados e os produtos vendidos aos clientes. O resultado disso foi um lucro líquido de R$ 1,042 bilhão no primeiro semestre deste ano, número considerado recorde pelo presidente da instituição, Márcio Cypriano.
‘‘O valor representa aumento de 72% em relação ao lucro recorrente do mesmo período do ano passado’’, disse. Apesar dos resultados favoráveis na primeira metade do ano, as previsões macroeconômicas do Bradesco para 2001 não são das mais otimistas. O banco projeta crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) – soma dos bens e serviços produzidos pelo País – de 2% a 2,5% (ante 4,5% anterior); dólar entre R$ 2,40 e R$ 2,50 em dezembro; taxa básica de juros (Selic) de 20% ao final do ano (está em 19%); e inflação de 6% a 6,6% (o teto da meta é de 6%). Diante desse quadro, o banco reviu suas expectativas de crescimento das operações de crédito. De 40%, a estimativa de expansão da carteira para 2001 caiu para 20%.
O banco Itaú registrou lucro líquido consolidado de R$ 1,457 bilhão no primeiro semestre, com rentabilidade anualizada de 43,8% sobre o patrimônio líquido consolidado, segundo dados financeiros divulgados ontem. Esse lucro é 82% superior ao do mesmo período do ano passado, quando o banco teve lucro de R$ 800,2 milhões, e recorde para um semestre. A instituição terminou o primeiro semestre deste ano com patrimônio líquido consolidado de R$ 7,311 bilhões, o que representa um crescimento de 15% em relação ao mesmo período de 2000 e de 10,1% sobre dezembro último.
Nos primeiros seis meses do ano, o banco alcançou a marca de R$ 74,815 bilhões em ativos consolidados, o que representa um avanço de 37,2% em relação a igual período de 2000.

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