Os bancos evitaram vender dólares ontem. Quem precisou comprar pagou mais caro. O real perdeu valor pela primeira vez desde que Armínio Fraga assumiu o Banco Central, na quinta-feira passada. No fechamento, a moeda dos EUA foi cotada a R$ 1,91, contra R$ 1,87 ontem.
Grandes bancos detentores de papéis da dívida pública interna evitaram abastecer o mercado, em uma tática sorrateira para puxar para cima as cotações do dólar. Quanto maior o valor médio do dólar ontem, maior a remuneração dos detentores dos cerca de R$ 2,4 bilhões em títulos públicos de variação cambial que vencem hoje. Mede-se quanto o governo irá pagar por esses papéis pela variação do dólar médio, divulgado pelo BC, entre a véspera do lançamento do título e a véspera do vencimento, no caso ontem.
Os títulos com vencimento hoje são chamados de NBC-E, lançados no passado pelo governo para que o mercado tivesse mais mecanismos de ‘‘hedge’’ (proteção) contra uma forte desvalorização do real.
O detentores desses papéis tiveram ganhos superiores a 60% por causa da valorização do dólar desde janeiro, quando o governo liberou o câmbio. O BC até atuou, ontem, para segurar as cotações para baixo para evitar perdas maiores com os seus papéis. Vendeu pela manhã o dólar a R$ 1,86, depois aceitou pagar R$ 1,88. Não vendeu o suficientemente para conter pequena alta.
O BC procura guardar as reservas de defesa do real, de mais de US$ 8 bilhões até junho, para momentos de maior tensão, dizem especialistas. Com sua atuação silenciosa, os bancos conseguiram que a cotação média do dólar, ponderada pelo volume de negócios, ficasse em R$ 1,8784 ontem, uma alta de 0,82%.

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