Bancos sacam R$ 6 bi a descoberto
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quinta-feira, 24 de agosto de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O Banco Central (BC) tem um levantamento que mostra que os saques a descoberto que os bancos fazem das reservas bancárias somam uma média diária de R$ 6 bilhões. A pesquisa foi feita entre maio de 1998 a abril de 1999 e de maio de 1999 a abril deste ano, segundo Luiz Gustavo da Matta Machado, chefe do Departamento de Operações Bancárias do Banco Central e coordenador do Projeto de Reestruturação do Sistema de Pagamentos Brasileiro.
A partir de julho de 2001, o saldo das reservas bancárias será controlado em tempo real e sem admitir saques a descoberto, através do sistema RTGS (Real Time Gross Settlement). A liquidez de crédito intradia será fornecida com o redesconto de títulos públicos federais, explicou Machado durante um congresso promovido pela Febraban.
Hoje o BC é o grande responsável pelo risco sistêmico que é eminentemente privado. Essa não é mais uma formatação recomendada, disse Machado. No projeto de reestruturação do BC, haverá uma separação das compensações do varejo dos pagamentos de alto valor ou os chamados críticos para a economia.
Hoje, segundo o representante do BC, 5% dos cheques compensados pela Compe (o sistema de compensações de cheques) representam 85% do valores transacionados. É preciso separar os caminhos do varejo dos pagamentos críticos e dos de alto valor, afirmou Machado. O BC não informou ainda aos bancos o que considera alto valor.
A partir da segunda quinzena de setembro, Machado disse que o BC abrirá uma discussão com o mercado para discutir o que sairá da área de atuação da Compe. O BC não quer adotar medidas extremas, mas a Compe não será mais sistematicamente importante, afirmou. Vai compensar apenas varejo. Segundo o chefe de departamento do BC, a autoridade monetária vai tentar induzir uma migração do mercado para formas mais seguras de pagamento. Ele citou, como exemplo, o Canadá que conseguiu a transferência da maioria dos pagamentos em três meses, sem precisar adotar uma medida coercitiva.
O chefe do Departamento de Operações Bancárias do Banco Central (BC) e coordenador do Projeto de Reestruturação do Sistema de Pagamentos Brasileiro, Luiz Gustavo da Matta Machado, disse que este é o momento adequado para a reestruturação, porque o sistema financeiro está forte. Se uma mudança semelhante fosse feita há quatro ou cinco anos, antes portanto do Proer, o sistema financeiro seria induzido a uma crise sistêmica.
Com a reestruturação, o sistema financeiro ficará ainda mais forte e competitivo já que adotará padrões internacionais, o que, segundo Machado, beneficiará o Brasil.


