Nova York - Dezesseis dos maiores bancos privados mundiais comprometeram-se ontem, de maneira genérica, a manter ''o nível geral'' de suas linhas de crédito para empresas brasileiras e de seus demais negócios no País.
O compromisso foi anunciado após reunião de duas horas entre representantes dos bancos e a equipe econômica brasileira, realizado na sede do Fed (banco central dos EUA) em Nova York.
A redução das linhas de crédito para exportação e a dificuldade das empresas brasileiras de renovar (rolar) seus empréstimos externos têm provocado a desvalorização do real e levaram o Brasil a pedir recursos ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Em um comunicado divulgado depois do encontro, conglomerados financeiros como Citigroup, JP Morgan Chase, Deutsche Bank e Santander expressaram o ''compromisso de longo prazo com o Brasil'' e a ''intenção de manter o nível geral de seus negócios no Brasil, incluindo as linhas de comércio exterior''.
O compromisso não menciona valores nem duração. Além disso, não será monitorado oficialmente pelos próprios bancos, como ocorreu no acordo que manteve o volume de linhas de crédito ao Brasil após a crise da desvalorização do real, em 1999.
O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, considerou o resultado da reunião ''um sucesso absoluto'', que ''superou todas as expectativas do governo brasileiro''. Acompanhado do ministro da Fazenda, Pedro Malan, Fraga disse que não haverá um mecanismo de controle porque, diferentemente do acordo de 1999, ''esse não é um trabalho vinculado ao FMI''.
Segundo Fraga, o compromisso anunciado ontem pelos bancos foi ''um trabalho independente, que partiu de uma iniciativa nossa''. E disse ainda que seria impossível montar um sistema de monitoramento para esse acordo, pois ele ''vai além das linhas de comércio'', atingindo as demais operações dos bancos no País.
''Foi um apoio importante, além além das linhas comerciais, pois não adianta os bancos manterem ou aumentarem as linhas e reduzirem algum outro tipo de exposição ao País'', explicou.
Fraga informou que o compromisso dos bancos começou a vigorar ontem e afirmou ser ''muito positivo'' o fato de os bancos não terem estipulado um prazo de duração para a promessa de manter a exposição nos níveis atuais. ''Foi melhor do que isso, porque (o prazo do compromisso) foi indefinido.''
No mês passado, o diretor-executivo do Bank of America, Kenneth Lewis, declarou que a instituição iria esperar o resultado das eleições de outubro para decidir se irá elevar os empréstimos ao Brasil. Dessa vez, os bancos e a equipe econômica evitaram mencionar a palavra ''eleições'', embora Fraga tenha reconhecido que assuntos ''políticos'' foram abordados no encontro, ''de forma detalhada''.

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