Bancos querem adiamento do leilão do Banestado
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quinta-feira, 28 de setembro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
Os cinco bancos pré-qualificados para a compra do Banestado avaliam a possibilidade de protocolar nos próximos dias pedido junto ao Banco Central para adiar a data do leilão de privatização, marcado para 17 de outubro. Os bancos alegam que há pouco tempo para a análise completa das informações do Banestado. Na semana passada, a equipe que faz a trabalho no data room (sala de dados) fez por escrito mais de três mil perguntas para a diretoria do Banestado e Secretaria da Fazenda. Eles encontram dificuldades para traçar um perfil do negócio que estão prestes a realizar.
A Secretaria da Fazenda já foi informada dos entraves que os bancos pré-qualificados Bradesco, Santander, ABN-Amro, Unibanco e Itaú enfrentam. O Santander e o ABN-Amro têm ainda um complicador. Por serem estrangeiros, precisam submeter todas as informações obtidas aos donos que estão em outros países.
Por enquanto não há qualquer movimento concreto dentro da Secretaria da Fazenda ou mesmo entre a diretoria do Banestado no sentido de mudar o leilão. Até mesmo o presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, que defende a alteração da data, disse que não está empenhado para que ela aconteça. Mas ele admitiu que o data room transcorre com dificuldades. Eles têm problemas, pois é a mesma equipe que analisa os dois bancos que serão privatizados (Banestado e Banespa), disse Stephanes, ao reconhecer que o cronograma está apertado.
Outro fator que pode comprometer ainda mais o trabalho da análise de dados é a ameaça dos funcionários de entrar em greve a partir da próxima semana. Uma greve pára o setor de informática e daí não tem como dar as informações que os bancos precisam, disse o diretor da carteira de Crédido Imobiliário do Banestado, Ricardo Khury. Ele afirmou defender o leilão no dia 17 e negou estar articulando a mudança na data para que a venda do banco não interefira no processo eleitoral. Privatizar o banco poderia representar prejuízo para a imagem do governo do Estado, e por consequência, ao candidato à reeleição Cássio Taniguchi.
O próprio Stephanes admite que a venda não é um processo político bom para a imagem do governo. Não é lógico colocar a venda um símbolo do Estado, no meio de uma eleição, comentou. Ele citou o caso de São Paulo, onde o governador Mário Covas agendou para a segunda semana de novembro (pós-eleição) a venda do Banespa.


