Bancos públicos estão no limite
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sexta-feira, 21 de maio de 2010
Luciana Xavier <br>Agência Estado 
Nova York - A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse ontem que o grande desafio para o próximo governo será o de encontrar ''fontes diferenciadas de financiamento'' para a economia. Dilma participou do encontro com investidores chamado ''A Eleição Presidencial Brasileira em 2010'', promovido pela BM&FBovespa em Nova York. ''A crise demonstrou que foi muito importante o Brasil ter bancos públicos. Mas não podemos só contar com os bancos públicos. Nós atingimos, acredito, o limite dos bancos públicos'', afirmou.
Dilma disse ainda que a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dela própria é de que ''não se deve privatizar a Petrobras, a Eletrobras e todas as empresas do setor elétrico e os bancos públicos''. ''O presidente Lula e eu somos favoráveis a concessões para a iniciativa privada para novas hidrelétricas e rodovias, sempre que for mais barato fazer por meio de concessões do que de obras públicas'', afirmou a jornalistas.
Dilma disse que o governo Lula tem sido bem sucedido no controle da inflação, mas que seria importante ter como objetivo a redução da meta de inflação nos próximos anos, a partir de 2011 a 2014. ''Temos que ter como objetivo a redução da meta de inflação de 2011 a 2014. Mas ela tem que ser gradual e feita com muito cuidado porque vivemos num mundo bastante turbulento'', afirmou.
Segundo Dilma, é possível conseguir nos próximos anos uma taxa de juro real ''pouco abaixo de 5%'' e, para isso, é preciso que se avance na questão fiscal, com redução do endividamento do governo. Ela lembrou que o governo atual conseguiu reduzir a taxa de juro real de 15% a 20% para em torno de 5% a 6%.
De acordo com Dilma, o comprometimento do Banco Central no cumprimento da meta de inflação não foi alterado ''nem diante das eleições''. ''Elevamos a taxa de juros porque achamos que havia pressão sobre a demanda ou, se não pressão, um aumento da demanda maior que o da oferta'', disse.
Autonomia do BC
Em vários momentos, Dilma rebateu críticas feitas pelo pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, como no que se refere à autonomia do Banco Central, sem no entanto citá-lo. A ex-ministra da Casa Civil disse que a autonomia do Banco Central foi importante na trajetória de estabilidade da economia brasileira e que isso ficou claro na recente alta de juros promovida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), de 8,75% para 9,50% ao ano. Segundo ela, essa autonomia deve ser mantida pelo próximo governo.
Dilma reconheceu que as conquistas que colocaram o Brasil no patamar atual se devem também a governos anteriores. ''Não vou sofismar. Eu não acho que o estágio atual da economia brasileira seja fruto apenas deste governo. Acho que ele é fruto de um processo de amadurecimento dos governos no Brasil e da própria sociedade que, definitivamente, não admite mais inflação e que, definitivamente, também não pode viver com uma das maiores concentrações de renda do mundo'', afirmou.


