Bancos públicos cortam até 52% de juros dos cartões
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quinta-feira, 06 de setembro de 2012
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
A redução da taxa Selic de 8% para 7,5% no último dia 30 fez com que bancos públicos voltassem a reduzir os juros para cartões de crédito. Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal anunciaram ontem cortes que chegam a 52% das tarifas, em nova medida para facilitar o consumo e aquecer a economia brasileira, a pedido do governo federal.
A mudança deve obrigar bancos privados a adotar ajustes semelhantes, para competir com as instituições públicas. Outro objetivo é permitir que os consumidores possam parcelar compras em até 48 vezes, o que facilita a administração do orçamento familiar.
No BB, o corte médio será de 30%. Pelo cartão Ourocard, a taxa mínima do parcelamento caiu de 2,88% para 1,94% mensais e a máxima, de 5,7% para 3,94% ao mês. Os planos valem a partir do próximo dia 17. Segundo o banco, o parcelamento das faturas alcançou R$ 500 milhões contratados com o Bompratodos, de abril a agosto. O crescimento é de 34% sobre o mesmo período de 2011.
Na Caixa, foi a terceira redução desde abril, por meio do programa Caixa Melhor Crédito. O gerente regional José Carlos Rodrigues diz que a maior queda nos juros do crédito rotativo da Caixa foi de 40% ao mês no cartão Nacional, de 9,47% para 5,65%, o que chega a 52% do total no fim do ano, ao passar de 200% para 95%. Porém, ele diz que há possibilidade de chegar a 0,89% ao mês de taxa mínima. ''A expectativa é que mais pessoas usem o cartão de crédito e deixem de parcelar nas lojas'', afirma. As tarifas da Caixa valem para compras a partir de setembro com parcelas de outubro em diante.
Rodrigues diz ainda que as pessoas com dívidas no cartão de crédito devem procurar a Caixa para um renegociamento. Ele diz que há possibilidade de conseguir taxas menores e prazos de pagamento maiores.
Apesar do estímulo ao uso do cartão de crédito, o consultor de finanças pessoais e empresariais Charles Vezozzo pede que as pessoas aprendam a usar o sistema. Ele diz que é preciso disciplina. ''A conta precisa estar prevista no orçamento e o cliente precisa pagar sempre a fatura integral. Se quitar apenas o mínimo, o custo é maior e vira uma bola de neve.''
Poupança recorde
Também como reflexo das seguidas quedas da taxa Selic, o Banco Central anunciou ontem que a captação líquida das cadernetas de poupança voltou a bater recorde em agosto. Com a taxa básica de juros em 7,5%, valem as regras criadas em maio para novas poupanças, que determina o rendimento de 70% da Selic quando estiver abaixo de 8,5%. Mesmo assim, a poupança está mais rentável do que a maioria dos fundos, nos quais há taxa de administração e descontos pelo Imposto de Renda.
Vezozzo lembra ainda que a poupança é tida como uma aplicação de fácil entendimento e sem muita interferência do governo. ''As pessoas optam pelo tradicional.''
Os depósitos feitos na poupança neste ano superaram os saques em R$ 27,233 bilhões, valor recorde da série histórica que começou em 1995. O resultado é R$ 5,313 bilhões maior do que o do mesmo período do ano passado. Somente em agosto, a captação líquida foi de R$ 3,497 bilhões. O valor, porém, é menor do que o de julho, de R$ 8,252 bilhões.



