O pacote que o Brasil deve fechar ainda esta semana, com base no aval a ser obtido por sua carta de intenções ao FMI (Fundo Monetário Internacional), não deve ser visto como o pretexto para buscar em seguida dinheiro junto aos bancos privados. Foi a única informação que vazou ontem, em Washington, em meio ao silêncio que cerca as negociações iniciadas com o Fundo há dez dias. A equipe técnica do Ministério da Fazenda que as conduz é chefiada pelo secretário de Política Econômica, Amaury Bier.
A lógica que leva o País a se afastar por enquanto dos bancos particulares é ditada, segundo a Agência Folha apurou, pela necessidade de não traçar um paralelo entre dinheiro que se agregará às reservas cambiais para reconquistar a confiança do mercado - o que o governo tenta fazer agora - e o socorro que essa parcela do sistema financeiro prestou ao Brasil no final dos anos 80, quando da crise cambial provocada pelo Plano Cruzado.
Na semana passada, banqueiros citados pelo ‘‘The New York Times afirmaram que preferiam aguardar o impacto do pacote liderado pelo FMI antes de qualquer negociação.
A hipótese de esses bancos entrarem no pacote circulou durante o fim-de-semana na Basiléia, Suíça, durante a assembléia do Bank for International Settlements (BIS), o BC dos bancos centrais. O assunto não foi comentado em Washington por Amaury Bier, que disse ontem à agência internacional de notícias ‘‘Reuters’’ ser ‘‘provável’’ a conclusão, entre hoje e amanhã, da carta de intenções com o Fundo.
Ainda segundo a ‘‘Reuters’’, o segundo homem na hierarquia do Fundo, Stanley Fischer, disse na Austrália que a carta estaria pronta ‘‘no decorrer desta semana’’. A principal informação que ela deverá conter - o volume de créditos a ser colocado à disposição do Brasil - ainda é objeto de especulações. O próprio FMI não confirma se a sua parte será de US$ 15 bilhões ou de US$ 18 bilhões.
Como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento asseguram, cada um, esperados US$ 4,5 bilhões, há ainda a parcela do G-10 (um G-7 ampliado, que inclui três outros industrializados). Ele só anunciará o detalhamento de seu programa após a conclusão do acordo entre o Fundo e o governo brasileiro.
Outra informação capital e que ainda está faltando diz respeito aos juros. O G-10 estaria negociando com o Brasil. Fischer disse ontem que o pacote está praticamente acertado, negociando-se agora os detalhes finais. O que significa provavelmente que o FMI já considerou plausíveis as metas de ajuste fiscal que o governo brasileiro anunciou.Arquivo FolhaEm gestaçãoStanley Fischer, do FMI (esquerda): carta de intenções do Brasil deve sair ainda ‘‘esta semana’’Agência Folha

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