A liberação das regras do financiamento imobiliário tornou esse tipo de operação mais atraente para os bancos privados, que já estão se adaptando às mudanças e prevêem aumento da procura pelos empréstimos para compra da casa própria. O diretor de Crédito Imobiliário do BankBoston, Fábio Nogueira, estima que o volume de recursos aplicados em financiamentos deve aumentar quatro vezes nos próximos dez anos, passando dos atuais R$ 50 bilhões para R$ 200 bilhões. ‘‘Só não vai acontecer a explosão que se espera para o setor logo porque os juros ainda são muito altos’’, completa o vice-presidente da rede de agências do Unibanco, Danilo Mansur. Enquanto no Brasil paga-se 12% ao ano mais TR mensal, nos Estados Unidos a taxa anual é de 8% a 9%, sem correção.
O diretor do BankBoston acha que no Brasil os juros tendem a cair, com o aumento da concorrência entre as instituições. O banco já saiu na frente anunciando esta semana uma promoção que propõe a redução de 1,2 ponto percentual na taxa anual para os contratos assinados a partir de agora até o fim do ano. O desconto será dado a partir da 13ª prestação, se o cliente não tiver no primeiro ano do financiamento pago nenhuma parcela com atraso superior a 30 dias. A partir do quinto ano, será dado um desconto anual de 0,25 ponto percentual, até chegar à taxa anual de 9,3% no décimo ano do contrato.
Com a redução dos juros o Boston espera dobrar até o fim do ano sua carteira de financiamento imobiliário, hoje com R$ 100 milhões emprestados a 2 mil clientes. O banco tem mais R$ 400 milhões disponíveis para emprestar para esse segmento, provenientes da poupança e de uma emissão de debêntures no início do ano.
O Unibanco também espera dobrar o volume de financiamentos que realiza atualmente quando começar a operar com as novas regras, provavelmente dentro de duas semanas. ‘‘Atualmente fazemos 50 a 60 contratos por mês’’, diz Danilo Mansur. Os principais benefícios das novas medidas, segundo ele, são a possibilidade de aumentar o prazo de pagamento e o limite de comprometimento de renda. ‘‘Nas faixas de renda mais alta havia uma demanda por volume maior de recursos, com prestações maiores’’, diz Mansur.
O vice-presidente do banco disse que o Unibanco ainda não está operando com as novas normas porque está elaborando novas tabelas, mais flexíveis, que levarão em conta a renda, a idade da pessoa e a idade do imóvel para a concessão do valor e prazo do financiamento. Ele acha que rapidamente o prazo máximo será estendido de 15 para 20 anos, mas não espera a mesma rapidez para a redução da taxa de juros. ‘‘O custo do dinheiro está muito descolado da inflação, que é o parâmetro de correção salarial’’, diz Danilo Mansur.
Também no Unibanco, dinheiro para os financiamentos não é problema, diz Mansur. O banco tem uma carteira de R$ 250 milhões em crédito imobiliário, e disponibilidade de captar mais recursos para investir no setor.
A Creditec, financeira do Banco BBM, que voltou a conceder empréstimos com juro prefixado de 3,2% ao mês para imóveis, pretende dar um salto ainda maior na sua carteira de crédito imobiliário. Atualmente, com R$ 2 milhões em empréstimos, a financeira quer chegar a R$ 20 milhões até o fim deste ano, atraindo um público que usa os recursos para trocar de imóvel.
‘‘Quando concebemos o produto, em maio de 1997, visualizamos que esse mercado seria promissor com a moeda estável’’, diz o gerente de Crédito Imobiliário, Antonio Carlos Balthazar. Ele explica que os seus empréstimos são de até 48 meses, com prestações fixas. Além da taxa prefixada, diz que o diferencial dessa linha de crédito em relação aos concorrentes é financiar até a metade do valor de mercado do imóvel e não exigir comprovação de renda formal. A exigência é que o cliente tenha capacidade financeira para quitar o empréstimo.
O diretor de crédito imobiliário e poupança do Banco Real, Antonio Luiz Candal, acha que as mudanças vão ampliar a demanda efetiva pelos financiamentos com a liberação do limite de renda e a redução do seguro. A permissão de alienação fiduciária, em que o imóvel fica de posse do comprador mas de propriedade do banco que financiou a compra até a quitação do empréstimo, também é encarada como um grande avanço para o setor. O Real tem hoje 45 mil clientes pessoa física, com uma carteira de R$ 2,4 bilhões, e pretende ampliar sua participação nessa área. ‘‘Já utilizamos no financiamento imobiliário 74% dos recursos da poupança, mas podemos chegar a até 80% com essas mudanças’’, diz Candal.
O motivo é que a taxa de 12% é considerada bastante rentável pelo banco. ‘‘Com a estabilização da economia e queda das taxas de juros esses 12% passaram a ser mais atrativos’’, avalia o executivo do Banco Real. O banco tem um volume de R$ 600 milhões para aplicar no segmento.

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