Bancos podem suspender o pagamento de contas
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sexta-feira, 19 de maio de 2000
Agência Estado De São Paulo 
As instituições financeiras querem o aumento do valor pago pelas concessionárias prestadoras de serviços públicos (como saneamento, telefonia e energia elétrica) para continuarem a receber as contas dos consumidores em suas agências. As empresas por sua vez, para evitar o aumento de custos, buscam soluções alternativas como o pagamento em farmácias, nos Correios ou por meio da Internet. Diante dessa briga, os órgãos de defesa do consumidor começam a movimentar-se para que, em breve, não haja a consequência de a população ser ainda mais prejudicada: sem ter onde pagar suas obrigações com facilidade, principalmente os que não têm conta corrente em bancos.
O valor pago pela maioria das empresas à rede bancária pelo recebimento de cada conta no caixa varia de R$ 0,80 a R$ 1,00. A quantia que os bancos repassam entre si por operação é de R$ 1,06.
Segundo o secretário de Direito Econômico, Paulo de Tarso Ramos Ribeiro, é possível que, no período de um mês, essa situação seja solucionada. Queremos reunir todas as instituições envolvidas no assunto para desenvolver uma conduta a ser adotada em todo o País, adianta Ribeiro. O que é inadmissível é que os clientes sejam discriminados na agências. O presidente da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Roberto Setúbal, destaca que os consumidores são clientes das concessionárias e são elas quem devem se responsabilizar pelo bom atendimento.
Até que a questão esteja resolvida, no entanto, muitos consumidores continuarão esperando em filas nas agências bancárias para talvez ficarem sabendo, ao encostar no balcão, que não será possível pagar a conta ali. Essa situação tem-se tornado frequente por causa do número cada vez maior de contratos não renovados entre as concessionárias e as instituições financeiras.
De acordo com informações da Febraban, são pagas por mês 39 milhões de contas de energia elétrica, 32 milhões de telefone e 18 milhões de saneamento em cerca de 13 mil agências bancárias em todo o País. Nem todas as instituições recebem esse pagamento, só as maiores, cerca de 30, segundo o diretor de Serviços da Febraban, Jorge Higashino. Interessa o recebimento ao banco que quer oferecer facilidades a seus clientes, diz Higashino.
A posição das instituições financeiras em restringir o pagamento de contas de gás, luz, telefone ou água no caixa de suas agências não decorre, contudo, somente da diferença entre o custo da operação e o valor recebido. Antes do real, os bancos ganhavam com a variação da inflação e o recebimento era lucrativo. Além disso, a maioria das empresas era estatal.
Outro fator é que prestar esse tipo de serviço está na contramão da tendência cada vez maior de reduzir as agências bancárias e o atendimento no caixa. Por isso, os bancos insistem para que seus clientes utilizem o débito automático, mas apenas 20% das contas são pagas desse modo. O aumento substancial do número de contas é mais uma interferência: só as de telefone que somavam 148 milhões há cinco anos, correspondem atualmente a 324 milhões, um terço do total de contas emitidas.
Um levantamento da Caixa Econômica Federal mostra que 47% do total de boletos são quitados em casas lotéricas, ligadas à Caixa, e cerca de 32% dos recebimentos são feitos no caixa das agências. Segundo o diretor de Serviços Financeiros da Caixa, Fernando Carneiro, o custo dessas operações para os bancos estatais é ainda maior, de R$ 2,74; para os bancos privados, de R$ 1,38 e para o débito automático, de R$ 0,50.


