O pacote de Remes Lenicov também implicaria na ‘‘pesificação’’ dos depósitos que estavam em dólares (os depósitos, como cadernetas de poupança ou prazos fixos na moeda dos EUA foram comuns nos últimos dez anos). Esta pesificação será realizada na proporção de US$ 1 para 1,40 peso. Neste caso, os bancos seriam compensados com a emissão de um bônus por parte do governo, o que aumentaria a dívida estatal em mais US$ 16 bilhões, que será pago pelos contribuintes argentinos.
No entanto, estes depósitos continuarão dentro do semi-confisco bancário, e serão gradualmente liberados através de um cronograma que se prolongará até setembro.
Mas apesar da rigidez que ainda prevalecerá por vários meses nos depósitos que anteriormente estavam em dólares, alguns setores do ‘‘corralito’’ começarão a ter o benefício de uma flexibilização gradual.
Para começar, o governo liberará totalmente as contas bancárias nas quais estejam depositados os salários e indenizações por demissões e acidentes de trabalho. Esta liberação foi confirmada pelo porta-voz da presidência, Eduardo Amadeo.
Partes dos prazos fixos também serão liberados para a utilização de compra de bens através de cheques ou cartões de débito. Outra medida fundamental do pacote de Remes Lenicov consistirá em deixar o peso flutuar livremente em relação ao dólar. Analistas em Buenos Aires consideram que a moeda americana poderia disparar sua cotação, passando de US$ 1 por 3 pesos. No centro da capital argentina já florescem as ‘‘cuevas’’ (‘‘cavernas’’), onde trocam-se pesos por dólares de forma ilegal. Alguns economistas temem que junto com a disparada do dólar ocorra um aumento dos preços dos produtos no comércio.

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