Bancos pagam bônus para lojistas
São Paulo - Bancos e financeiras pagam comissões e prêmios aos concessionários e vendedores para garantir gorda carteira de clientes. Lojistas recebem de 6% a 20% sobre o valor financiado por carro, operação conhecida como Retorno Financeiro ou simplesmente R seguido do porcentual a ser pago, como R6. De olho no ganho extra com o crediário, lojistas treinam funcionários para convencer clientes a comprar a prazo. Para compra à vista é dada pouca vantagem. A prática não é nova e nem restrita ao segmento, mas se alastra num momento em que o País tem venda recorde de 2,8 milhões de veículos.
O bônus não é ilegal - se registrado na contabilidade dos envolvidos -, mas facilita ações predatórias de instituições e lojas que empurram planos que amarram o cliente por longo prazo, além do repasse de despesas para os consumidores. Outra prática é a cobrança da Tarifa de Abertura de Crédito (TAC), nem sempre divulgada ao comprador, cujos valores variam de R$ 200 a R$ 900.
Nas medidas anunciadas na última quinta-feira pelo Banco Central foi incluída a obrigatoriedade de os bancos informarem a cobrança, sem valor máximo para a taxa. ''Tem vendedor que abusa e chega a cobrar duas TAC, uma embutida nas prestações e outra à vista'', conta o vendedor de uma grande concessionária de São Paulo. ''A comissão pela venda de um carro hoje é baixa, por causa da concorrência, por isso os lojistas buscam a diferença na TAC ou no R'', diz ele, no ramo há 15 anos. ''Hoje, em muitas revendas, quem paga o salário do vendedor é o banco.''
Segundo o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Sérgio Reze, juros, TAC e Retorno dependem de negociações entre bancos e concessionárias, levando em conta o risco do crédito. ''É da natureza do sistema financeiro num regime livre.'' O Procon reconhece o Retorno como ''relação comercial'', mas admite que há abusos quando o consumidor não é informado de taxas e não recebe cópia do contrato. (M.C e C.S.)





