Paulo Afonso Rodrigues
O mercado internacional, atento aos procedimentos realizados pelos bancos brasileiros para auferirem lucros, estão de olho no mercado nacional com o objetivo de conseguir fatias deste bolo ou, talvez, o bolo todo. Com a implantação do Plano Real, os serviços cobrados pelo sistema bancário brasileiro em relação aos custos internacionais despertaram interesses nas grandes instituições bancárias. Os baixos custos de captação, as altas taxas de empréstimo, os altos custos dos serviços prestados e a baixa remuneração dos funcionários destas instituições, somando-se o fato de apenas 15% do mercado brasileiro estar sendo explorado, o Brasil tornou-se a bola da vez.
O mercado internacional já atende hoje 80% da população economicamente ativa. A maioria desta população entende e compreende a finalidade do sistema bancário e seu funcionamento, questionando e brigando por baixas nos custos dos serviços prestados. Ou seja: totalmente ao contrário do que acontece hoje no mercado brasileiro que explora apenas 15% da população economicamente ativa e que nada, ou quase nada, compreende sobre a metodologia bancária.
O que vemos hoje são grandes grupos estrangeiros, abocanhando bancos e mais bancos, com o objetivo de explorar o mercado de varejo cujo cliente é aquele que compra um título de capitalização, faz o seguro de vida, adquire um cartão de crédito e de cheque especial (muitas vezes, ‘‘goela abaixo’’) e zela pela sua liquidez. A iliquidez somente ocorre, na maioria das vezes, alheia a sua vontade e à mercê do mercado de trabalho.
Na década de 80 e nos primeiros anos de 90, a bola da vez no Brasil eram os grandes riscos financeiros chamados de ‘‘clientes de atacado’’, ou seja, grandes operações com liquidez, com baixa rentabilidade ao banco mas, contudo, com baixo custo operacional. No entanto, as grandes operações foram afetadas pelas crises internacionais através da ligação estreita das grandes empresas brasileiras com o mercado externo.
Pós-Plano Real, as empresas chamadas de ‘‘operações de atacado’’, achatadas em sua rentabilidade, passaram a negociar taxas ainda menores, reduzindo o ‘‘spread’’ bancário. O sistema bancário observou que, a partir do Plano Real, o ‘‘cliente-alvo’’ passaram a ser as pessoas físicas. No entanto, os bancos de atacado se depararam com a falta de estrutura física, o que ocasionou a incorporação dos bancos de atacado pelos bancos de varejo.
A Central de Riscos, criada em agosto de 1998 pelo Banco Central, informando ao mercado todo o débito dos clientes acima de R$ 50 mil (valor reduzido em 1999 para R$ 20 mil), teve o objetivo de prestar informações a todos os bancos sobre os débitos de seus clientes. Com esta atitude está sendo nítida a quebra de sigilo bancário. No entanto, oferece segurança a quem empresta os recursos, ou seja, ao sistema bancário que está seguindo o modelo utilizado nos grandes centros mundiais e que passa a ter a tranquilidade de um empréstimo com informações confiáveis.
Por sua vez, as grandes empresas continuam a negociar com baixos custos e, a pequena e média empresas, pagando custos mais altos. Somos ou não somos a grande fatia de mercado do mundo? Pagamos o maior ‘‘spread’’ bancário do mundo com informações dos ativos aplicados através da Central de Risco; possuímos somente 15% da população utilizando os serviços bancários; e pagamos os custos mais caros do mundo.
Informações do sistema bancário ‘‘in off’’ sinalizam uma meta de 1 a 4 anos para que a participação da população suba para 40% a 50% em relação à utilização de serviços bancários. Da mesma forma, temos que concordar que as últimas gerações que estão adentrando ao mercado econômico, possuem mais conhecimento do sistema do que as anteriores. E, a partir de 2010, os bancos internacionais verão o Brasil como viram a Europa nos finais dos anos 80: um mercado em ponto de saturação.
Quem viver, verá: quais serão os bancos ‘‘estritamente’’ brasileiros nos próximos cinco anos?

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