Ribeirão Preto – O bom momento do agronegócio em meio à crise econômica brasileira faz com que bancos e instituições de crédito busquem fortalecer a relação com o produtor rural, principalmente durante a 23ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), que acaba hoje, em Ribeirão Preto. De olho na tendência de menor crescimento da tomada de empréstimos e financiamentos por parte do consumidor comum e de empresários de outros setores, além do maior risco de inadimplência no mercado, as financeiras aumentam o esforço para ganhar clientes em um segmento que está em alta e que tem a fama de bom pagador.
Na maior feira de máquinas e equipamentos do País, os bancos apresentaram maior quantidade de recursos, de atendentes e de novidades para agilizar a concessão de crédito para agricultores de todos os portes. A Casa do Cooperativismo Paulista, por exemplo, dobrou o tamanho da estrutura de atendimento a produtores na Agrishow, passando de 200 para 400 metros quadrados. As cooperativas de crédito Sicredi e Sicoob mantêm agentes de crédito no estande do governo paulista e têm sedes próprias dentro da feira.
Por sua vez, o Banco do Brasil (BB), maior operador de crédito rural do País e que financia mais de 60% dos recursos do Plano Safra, disponibilizou R$ 536 milhões em recursos próprios para fomentar vendas na Agrishow, além dos recursos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento). O superintendente de Varejo e Governo São Paulo Norte da instituição, José Roberto Sardelari, afirmou na última segunda-feira que o valor oriundo da poupança rural dá agilidade à liberação. "Se o cliente tiver cadastro atualizado e limite de crédito aprovado, pode ter o contrato pronto e ter o crédito no mesmo dia. Se fosse com funding do BNDES, que depende de análise, demora até 30 dias", contou o executivo na ocasião, antes de a instituição adotar o período de silêncio que antecede a divulgação de resultados.
Há recursos disponíveis, porque o BB tem R$ 4,5 bilhões ainda alocados para o financiamento da safra que está se encerrando e o pré-custeio da próxima cresceu 26% nos primeiros quatro meses deste ano em relação ao mesmo período de 2015. "Já desembolsamos até ontem (segunda-feira) R$ 3,4 bilhões e temos cerca de R$ 2 bilhões já na linha de desembolso para os próximos dias, o que mostra a credibilidade e a confiança do setor", completou Sardelari.

Tecnologia
Outra novidade é a disponibilização ao público do aplicativo para telefones celulares BB Agrishow, que permite simular o financiamento e enviar sua proposta ao banco, para agilizar o processo. Também de olho em inovações tecnológicas, o Santander lançou na feira dez medidas para se aproximar do produtor rural, o que inclui a Conta Super, um módulo de gestão sem custos para o pagamento de funcionários, todo on-line.
O superintendente executivo de negócios do Santander, Carlos Aguiar, afirmou que o banco dobrou de 40 para 80 o número de agrônomos e especialistas que farão o atendimento personalizado ao agronegócio, por todo o Brasil. Outras medidas novas são o fim da taxa de comissão para o setor, que varia de 1% a 3% no mercado, segundo ele, a manutenção de entrada de 20% para financiamentos e parcerias com montadoras, entre outros. "Apesar do cenário não ser o melhor possível na economia, no agronegócio não reduzimos nada, continuamos com apetite de crédito e enxergando o setor com muito bons olhos."
A feira acaba hoje com a expectativa de igualar as vendas do ano passado, quando fechou com R$ 1,9 bilhão e 160 mil visitantes.

O repórter viajou a convite de empresas

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