Bancos mantêm juros altos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de novembro de 2006
Agência Brasil 
Rio de Janeiro - O setor bancário brasileiro, na comparação com o que vigorava no país após o Plano Real, em 1994, melhorou bastante não só em qualidade dos serviços prestados, como também no que se refere aos investimentos em tecnologia. Ainda assim, o spread ainda é o grande vilão das instituições financeiras, avalia o professor Rogério Sobreira, da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas(Ebape), da Fundação Getúlio Vargas.
O termo spread bancário se refere à diferença entre a taxa de captação dos recursos e a taxa de aplicação, que fica em poder das instituições financeiras. Quanto maior o spread, maior o lucro dos bancos.
Sobreira estima que no próximo ano é provável que, à medida que a taxa siga uma trajetória de queda, a gente veja um acirramento da concorrência bancária. Segundo informou, esse fenômeno já tem dado alguns sinais aqui e ali, mas ainda estamos muito aquém do observado em países desenvolvidos.
A boa avaliação fica por conta dos serviços de Internet banking, bastante razoáveis''. ''Esse é um aspecto positivo do setor que vem sendo observado nos últimos cinco a sete anos, disse o economista.
Sobreira observou, porém, que esse aspecto favorável não elimina uma série de problemas ainda apresentados pelo setor. O mais grave desses problemas ainda é o custo de tarifas. As tarifas bancárias no Brasil são muito altas. O setor, na verdade, não só não reduziu as tarifas, como aumentou. Nos últimos cinco anos, a gente tem visto aumento de tarifas superior à inflação, constatou.
Na avaliação do professor da Ebape/FGV, isso torna o serviço bancário ainda muito caro para boa parte da população. E esse é um defeito crítico que tem de ser resolvido, afirmou.
O setor ainda tem um volume de crédito muito baixo, apesar do crédito consignado (descontado em folha). Comparado com o que ocorre em países desenvolvidos e mesmo em países emergentes, caso do Chile e da Argentina, o nosso setor bancário ainda oferta um nível de crédito muito baixo.
Assembléia - Os erros e acertos do setor bancário serão focados durante a 40 Assembléia Anual da federação latino-Americana de bancos(Felaban), que acontecerá entre os dias 12 e 14 deste mês, no Rio de Janeiro.
A expectativa da Febraban é reunir mais de mil representantes de bancos latinos e brasileiros. No ano passado, 43 bancos participaram da Assembléia Anual, em Miami (EUA).
Serão debatidos, entre outros temas, a integração e o desenvolvimento sustentado na América Latina, a expansão do acesso aos serviços bancários e perspectivas econômicas para a região.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, deverá falar no encerramento do evento sobre as ações governamentais locais, em termos de infra-estrutura, logística, transporte e financiamento.


