Brasília - Os bancos lucraram cerca de R$ 20 bilhões no ano passado, principalmente por causa da disparada do dólar e dos juros no mercado brasileiro. Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado ontem pelo Banco Central (BC), o lucro líquido do sistema financeiro nacional ficou em R$ 10,4 bilhões no segundo semestre do ano passado, um aumento de 2,4% em relação ao resultado obtido no primeiro semestre.
Do total do segundo semestre, R$ 10 bilhões, ou 96,3%, corresponderam ao resultado dos bancos. Segundo o BC, a alta de 24,2% na cotação do dólar no segundo semestre do ano passado ''incrementou a rentabilidade dos títulos e valores mobiliários'', aumentando a receita com intermediação financeira em 39,4%, para R$ 145,9 bilhões. Dessa receita, mais da metade, ou 50,4%, originou-se de operações de crédito, cujos retornos anuais atingiram 38,9% no segundo semestre, diz o relatório. As operações com títulos e valores mobiliários, com retornos anuais de 33,8%, representaram 39,4% da receita de intermediação financeira.
Apesar da lucratividade, o volume de crédito no sistema financeiro cresceu pouco. O incremento foi 7,5% do primeiro para o segundo semestre do ano passado, alcançando R$ 378 bilhões, basicamente por causa dos bancos públicos (que emprestaram 14,5% mais) e do efeito da desvalorização cambial sobre as dívidas em dólar. Expurgado o efeito do câmbio sobre essas dívidas, as operações de crédito teriam crescido apenas 3,2% de um semestre para o outro.
O custo operacional dos bancos continua em queda. No segundo semestre de 2002, as despesas administrativas representaram 64,5% da receita intermediação financeira e receitas de prestação de serviços, menos que os 72,7% registrados no primeiro semestre.
A rentabilidade dos bancos quase dobrou de 2001 para 2002. O retorno sobre o patrimônio líquido (PL), que ficou em média em 10,5% e 10,4% nos dois semestres de 2001, pulou para 19,2% no primeiro semestre de 2002 e 18,6% no segundo. Já os bancos públicos tornaram-se menos rentáveis no decorrer de 2002: o retorno sobre o patrimônio líquido caiu de 15,2% no primeiro semestre para 6,9% na segunda metade do ano, quando a crise financeira se agravou.
Os bancos privados nacionais conseguiram aumentar seu retorno de 16,3% do PL no primeiro semestre para 19,4%. E bancos estrangeiros que tiveram estômago para permanecer no Brasil durante a crise foram devidamente recompensados. O retorno sobre o patrimônio líquido dos bancos estrangeiros subiu de 15,8% no segundo semestre de 2001 para 28,9% no mesmo período de 2002.
O nível de concentração no setor bancário continua em alta. As dez maiores instituições financeiras, que controlavam 69,4% dos ativos totais do sistema financeiro no primeiro semestre de 2001, terminaram o ano passado com 74,4% dos ativos. No caso dos 50 maiores bancos, essa proporção subiu de 94% no primeiro trimestre de 2001 para 96,7% no fim do ano passado.

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