Pela primeira vez desde o fim da hiperinflação, passou a ser um bom negócio para os bancos os recursos que os clientes deixam parados em conta corrente, sem aplicar em fundos de investimentos de curto prazo. Antes, os bancos tinham interesse na transferência dos saldos das contas correntes para fundos de investimentos, no qual eles cobram taxas de administração.
A partir da queda dos compulsórios sobre os depósitos à vista, hoje em 45%, os bancos passaram a lucrar mais com os saldos que ficam parados em conta corrente do que com a cobrança de taxa de administração de fundos.
‘‘A última redução do compulsório foi o ponto de inflexão’’, disse Vicente Diniz, diretor de finanças do Banco do Brasil, o líder absoluto no ranking de bancos por depósitos à vista. Na quarta-feira passada, o Banco Central reduziu de 55% para 45% os compulsórios sobre os depósitos à vista.
Segundo Diniz, atualmente o BB ganha em média 1% de taxa de administração em seus fundos de investimentos. O lucro é maior que isso se o cliente deixar seu dinheiro parado em conta corrente e o BB destiná-lo a operações de crédito ou à compra de títulos. Antes do início da redução dos compulsórios, em outubro de 99, os bancos não ganhavam nada com os depósitos à vista.
As instituições não podiam dispor livremente de nenhuma parcela dos recursos que seus clientes deixavam parados, pois 75% dos recursos deveriam ser repassados ao BC. Os 25% restantes têm a agricultura como destino obrigatório. ‘‘É difícil precisar quando ocorreu essa virada, mas hoje seguramente ganhamos mais com os depósitos que ficam em conta corrente do que com a cobrança de taxas’’, disse o diretor de finanças da Caixa, Valdery Albuquerque.

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