Bancos estrangeiros vão manter crédito
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sexta-feira, 12 de março de 1999
Paulo Sotero Agência Estado 
A equipe econômica completou ontem a apresentação do novo programa de estabilização à comunidade financeira internacional obtendo o compromissos de banqueiros ingleses, franceses e belgas de manter seus créditos interbancários e comerciais ao País pelos próximos seis meses. Na véspera, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, haviam assegurado a continuação das linhas de financiamento junto aos bancos da Alemanha e dos EUA, que respondem pela maior parcela do total de aproximadamente US$ 28 bilhões (segundo Fraga) ou US$ 23 bilhões (segundo Malan) que os credores privados internacionais tinham com bancos e empresas brasileiras no final do mês passado.
A discrepância sobre o montante dos créditos ficou clara nas entrevistas que o presidente do BC e o ministro da Fazenda deram ontem em Londres e Paris, respectivamente. Seja qual for o montante correto, Malan e Fraga concordam que a preservação desses créditos garante o fechamento do balanço de pagamentos este ano sem sobressaltos. Nas nossas projeções de balanço de pagamentos estamos trabalhando com níveis inferiores à rolagem total de linhas, e para as outras captações, também, disse Fraga.
As autoridades econômicas calculam que essa informação, combinada com a execução do duro programa fiscal negociado com o Fundo Monetário Internacional, tranquilizará os credores e os levará a restabelecer gradualmente os cerca de US$ 20 bilhões em créditos de curto e médio prazo que deixaram de renovar nos últimos oito meses. A volta desse dinheiro é vital para o financiamento das exportações, das quais depende em grande parte a realização do saldo comercial de US$ 11 bilhões previsto no programa com o FMI.
O que procuramos mostrar é que se houver um aumento na rolagem, que é o que esperamos, agora com mais confiança depois dessas reuniões, o balanço de pagamentos vai ficar com um colchão de financiamento adicional - o que é sempre bom, Fraga depois de passar parte do dia reunido com altos executivos de sete grandes bancos britânicos na sede do Banco da Inglaterra.
Não é um compromisso o que nós buscávamos e o processo é todo voluntário, mas alguns bancos nos comunicaram individualmente a intenção de aumentar as linhas, informou Fraga. Outros fizeram um comunicado condicional, dizendo que se as coisas continuarem melhorando, eles o farão, acrescentou. A coisa começa a dar sinais de vida, mas não é algo que eu possa dizer em público porque são decisões de cada instituição e cabe a eles revelar e não a nós.
Hoje Fraga e o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, que acompanhou o presidente do BC nos encontros com banqueiros em Nova York e Londres, juntam-se a Malan na capital francesa, onde ampliarão a campanha pela reconquista da credibilidade durante a assembléia geral do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID. Além de vários contatos individuais ou com grupos de banqueiros, Malan e Fraga devem repetir em público o que disseram nos últimos dias aos banqueiros em reuniões fechadas.


