Bancos estrangeiros têm menor exposição no Brasil
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de julho de 2003
João Caminoto<br> Agência Estado 
Londres A exposição dos bancos estrangeiros no Brasil caiu 3% no primeiro trimestre deste ano, principalmente pela redução de concessões de crédito no mercado doméstico brasileiro pelos bancos norte-americanos. Segundo as estatísticas consolidadas para o setor bancário mundial divulgadas ontem pelo Banco Internacional de Compensações (BIS, sigla em inglês), no final de 2002, a exposição das instituições financeiras internacionais no País era de US$ 103,4 bilhões e, no final de março passado, somava US$ 100,6 bilhões. No segundo trimestre do ano passado, período que antecedeu a volatilidade financeira provocada pela eleição presidencial, essa exposição era de US$ 123,3 bilhões.
O BIS salientou que, nos primeiros três meses deste ano, os bancos norte-americanos reduziram a sua exposição com as empresas brasileiras pelo quinto trimestre consecutivo, desta vez em US$ 700 milhões. Mesmo assim, os bancos dos Estados Unidos são aqueles que mantêm a maior exposição ao Brasil, de US$ 21,027 bilhões. Em seguida, estão os bancos espanhóis (US$ 13,743 bilhões), holandeses (US$ 13,717 bilhões) , britânicos (US$ 9,52 bilhões), alemães (US$ 9,029 bilhões), italianos (US$ 7,107 bilhões) e franceses (US$ 5,673 bilhões).
Segundo o BIS, a maioria dos países latino-americanos registrou queda de exposição de bancos estrangeiros no primeiro trimestre, ''embora os eventos na Argentina e Brasil tenham novamente norteado os movimentos na região''. Na Argentina, embora a exposição estrangeira em pesos tenha se mantido estável, os empréstimos em moeda estrangeira caíram de US$ 28,1 bilhões para US$ 25,7 bilhões.
A exposição em todos os mercados emergentes caiu para menos de 10% do total de empréstimos no mundo no primeiro trimestre. É a primeira vez que isso ocorre desde 1999. Mas a exposição aos emergentes apresentou tendências variadas, dependendo da região. Os créditos para as economias asiáticas cresceram ligeiramente, após registrarem queda no trimestre anterior. Os créditos para os países da ''Europa emergente'' também se expandiram, mas foram impusionados pela apreciação do euro em relação ao dólar norte-americano.


