Bancos estrangeiros retomam concessão de crédito ao Brasil
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quinta-feira, 09 de janeiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo A onda de otimismo sobre o futuro da economia está contaminando os investidores estrangeiros e levando os bancos internacionais a retomar a concessão de parte das linhas de crédito para o Brasil. O Wachovia, quarto maior banco americano, afirmou à agência de notícias Bloomberg que está considerando um aumento das linhas de crédito para companhias brasileiras, financiamento que foi cortado pela metade em 2002.
Angelo Vasconcellos, diretor de câmbio do Unibanco, diz que o banco vem recebendo cada vez mais ofertas de linhas comerciais de 90 dias. ''Há mais linhas sendo oferecidas por bancos estrangeiros, mas o preço ainda é alto, por volta de Libor mais 2,25 (pontos porcentuais)'', diz. Antes do colapso do crédito estrangeiro, essas linhas saíam por Libor mais 1 ponto porcentual.
Segundo Vasconcellos, as linhas de crédito com prazos mais longos, de 180 dias ou um ano, continuam escassas. ''Parece que os bancos estrangeiros acham que haverá uma lua-de-mel no governo de apenas 90 dias'', brinca.
No mercado de capitais, a janela de oportunidade foi maior, como mostram emissões de títulos dos últimos dias. O Bradesco fez uma oferta inicial de US$ 50 milhões em eurobônus de nove meses, mas acabou captando US$ 250 milhões. Normalmente, o primeiro tipo de crédito a retornar são justamente as linhas de para comércio exterior, antes das emissões de títulos. As linhas comerciais são consideradas mais seguras porque apresentam garantias em dólares. Depois, voltam os empréstimos de agências multilaterais, como Banco Mundial, e operações securitizadas, com garantias e colaterais.
Segundo John Welch, diretor da área de pesquisas de América Latina do Banco WestLB em Nova York, a volta de fluxos de capital estrangeiro para o País pode ser notada no comportamento do cupom cambial. A taxa do cupom de abril, que chegou a 37% em outubro, fechou em 13,15% ao ano ontem. ''Isso demonstra que há maior procura por cupom cambial porque voltou a existir demanda por hedge (proteção contra variação do câmbio), uma vez que o crédito em dólares retornou'', explica Welch.


