Bancos estão fazendo 'operação casada'
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terça-feira, 10 de outubro de 2000
Gecy Belmonte Agência Estado e Redação 
O presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antonio Ernesto de Salvo, informou ontem que está reunindo documentos para formalizar uma denúncia à Presidência da República contra os bancos que operam com o crédito rural. Segundo ele, as instituições financeiras estão condicionando a concessão de empréstimos com recursos oficiais, cujos juros são fixados em 8,75% ao ano, a exigências como depósitos em caderneta de poupança, realização de seguros e outros tipos de operação.
De Salvo disse também estar recebendo informações de que os bancos estão repassando os recursos referentes ao financiamento de máquinas agrícolas e insumos diretamente às fornecedoras, o que é ilegal. Para obter os recursos diretamente, segundo ele, as empresas pagam aos bancos uma taxa de cerca de 3% sobre o valor do financiamento, além de deixarem os recursos depositados no banco por um determinado período.
Segundo o presidente da CNA, o Banco do Brasil, maior operador do crédito rural, é o campeão desse tipo de prática. De Salvo disse que irá encaminhar a denúncia tão logo os documentos estejam concluídos, ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Das duas uma, ou o presidente não sabe disso, assim como o Ministério da Agricultura, e temos de alertá-los; ou sabem e estão sendo coniventes com essa ilegalidade, salienta.
Ao ser questionado sobre a denúncia, o diretor de crédito rural do BB, Ricardo Conceição, disse ser legítimo que o banco, ao conceder um determinado empréstimo, tente fazer com que o tomador contrate outros serviços, como o seguro da operação ou invista em aplicações oferecidas pela instituição. Mas o agricultor não pode ser obrigado a fazer essas operações sob pena de não obter o financiamento ou ter algum tipo de ônus por isso, salienta.
As declarações do diretor de crédito rural, Ricardo Conceição, confirmam, nas entrelinhas, a denúncia do presidente da CNA. Afinal, nenhum agricultor - diante da dificuldade de acesso ao crédito rural - deixará de atender apelo de um gerente para fazer aplicações ou contratação de serviços propostos pelo banco.
Com relação ao repasse direto dos recursos para as empresas fornecedoras na compra de tratores, máquinas agrícolas ou de fertilizantes, Conceição disse que esta é uma prática normal realizada pelos bancos para ampliarem seu leque de negócios, que não prejudica o agricultor.
Silêncio Revendas de equipamentos do Paraná e algumas agências bancárias evitaram falar sobre o assunto ontem. O dirigente de uma cooperativa de grãos, ouvido ontem por este jornal, disse desconhecer o fato mais ressalvou que tudo é possível quando se tem pouco crédito e muita demanda, ainda mais que as taxas, embora altas, são diferenciadas para a produção.


