Ainda não foi neste ano que o governo federal conseguiu se livrar de vez dos bancos estaduais que estão na lista de privatização. Cinco instituições permanecem sob o comando do Banco Central nesta virada de ano para serem vendidas em 2002. Os leilões bem-sucedidos dos bancos de Goiás e da Paraíba, no entanto, deixaram a cúpula do BC animada.
O diretor de Finanças Públicas e Regimes Especiais da instituição, Carlos Eduardo de Freitas, acredita que será possível vender os bancos do Amazonas (BEA), Maranhão (BEM), Piauí (BEPI), Ceará (BEC) e Santa Catarina (BESC) até o mês de abril. E a disputa, defende, ''será boa''.
Na avaliação do diretor, os bancos estrangeiros deverão ficar fora desse processo. A briga maior deverá ser dos grandes grupos nacionais que têm interesse especial na conta dos governos locais e do funcionalismo público, na capilaridade e na importância da marca dessas instituições nas regiões onde estão instaladas.
Sendo assim, é de se esperar a presença dos maiores grupos privados brasileiros, como Itaú, Bradesco e Unibanco nesses leilões. ''O Bradesco e o Itaú estão pré-qualificados para o leilão do BEA que será em janeiro. O BEC é um banco pequeno mas enxuto. O BEPI, o BEA e o BEM não têm ativos suficientes para alterar o ranking mas interessam pela presença forte no Estado. Já o banco de Santa Catarina é uma instituição maior'', avalia Freitas.
Juntos, os cinco bancos que aguardam privatização somam um pouco mais de R$ 4 bilhões em ativos. Esse valor não é suficiente para promover alterações no ranking dos maiores bancos por ativos totais, onde, segundo os balanços de setembro, o Bradesco somava R$ 97 bilhões, o Itaú, R$ 78 bilhões e o Unibanco, R$ 54,6 bilhões.
O banco de Santa Catarina é o maior da lista de privatizações do BC: tem ativos totais de R$ 1,8 bilhão, patrimônio líquido de R$ 654,7 milhões e 256 agências. O do Piauí é o menor. A instituição tem apenas 7 agências, ativos de R$ 160,7 milhões e patrimônio líquido de R$ 26,6 milhões.
O banco do Amazonas, que será leiloado no dia 18 de janeiro, conta com 37 agências, ativos totais de R$ 536 milhões e patrimônio líquido de R$ 132 milhões. As instituições do Maranhão e do Ceará têm praticamente o mesmo número de agências: 76, no primeiro caso e 71, no segundo.
Entretanto, o BEC tem um patrimônio líquido maior: R$ 147,5 milhões contra R$ 39,2 milhões, do BEM. O banco cearense também leva vantagem no volume de ativos totais que chegam a R$ 975,7 milhões em comparação com R$ 690,5 milhões da instituição maranhense.

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