Apesar das incertezas quanto ao cenário futuro do mercado financeiro internacional, e as possíveis consequências sobre a economia brasileira, instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC), no final da semana passada, acreditam que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro poderá crescer este ano 3,2%. Na última pesquisa elaborada pelo BC com estas instituições, no dia 12 de maio, a expectativa era de que o PIB cresceria 3,1% este ano. O governo, por sua vez, aposta num crescimento de 4%.
A expectativa com relação à inflação no País também sofreu uma melhora em relação à última pesquisa elaborada pelo Banco Central. As instituições ouvidas pela Autoridade Monetária acreditam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrará ao longo de 2000 uma elevação de 6,13%.
Na pesquisa realizada há duas semanas, essa expectativa era de uma variação positiva de 6,19%.
Pelo acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o IPCA é o índice oficial utilizado pelo governo para calcular a inflação no País, dentro do sistema de metas de inflação. Na quinta revisão do acordo de ajuda financeira ao Brasil, feita durante o último mês de março, o governo e os técnicos do FMI mantiveram a projeção de uma inflação em 2000 de 6%, com possibilidade de variação, para baixo ou para cima, de dois pontos percentuais.
As instituições ouvidas pelo BC também revisaram suas projeções para outros índices de preços calculados no País. Para o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), por exemplo, a expectativa é de que ele feche o ano com uma variação positiva de 7,38%, ante 7,45% projetado na pesquisa realizada no dia 12 de maio. A projeção da
variação do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) também sofreu uma pequena redução. O índice deve fechar o ano, segundo as instituições ouvidas, em 5,82%, ante 5,86% apurado há duas semanas.
Balança – No caso da balança comercial, as expectativas das instituições financeiras ouvidas pelo BC não são tão positivas quanto as do governo. Enquanto a equipe econômica mantém uma projeção de superávit de US$ 4 bilhões no saldo comercial do País, as instituições ouvidas pelo BC apostam num saldo positivo de US$ 3 bilhões. Na pesquisa realizada no dia 12 de maio, a média de projeções indicava um superávit de US$ 3,3 bilhões para a balança brasileira. A boa performance da balança será puxada pelos produtos agropecuários e agroindustriais, principalmente carne.
No acumulado do ano, até a segunda semana deste mês, a balança comercial brasileira registrava um superávit de US$ 349 milhões. Para que o superávit de US$ 4 bilhões seja alcançado seria necessário que as exportações superassem as importações numa média de US$ 114 milhões no decorrer de todas as 32 semanas restantes do ano. Na segunda semana de maio o superávit da balança foi de apenas US$ 68 milhões.
Transações Correntes As projeções para o déficit em transações correntes para o ano de 2000 mantiveram-se em US$ 23,4 bilhões, de acordo com o levantamento feito pelo Banco Central com instituições do mercado financeiro brasileiro. Em abril, conforme os números divulgados na semana passada pelo Departamento Econômico (Depec) do BC, o déficit em transações correntes foi de US$ 3,078 bilhões.
No acumulado em 12 meses, terminados em abril, esse déficit atingiu US$ 23,823 bilhões, ou 4,06% do PIB. A projeção do governo para o déficit em transações correntes é mais pessimista do que das instituições. Para o ano, a expectativa do BC é de que este déficit fique em cerca de US$ 25 bilhões.

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