Brasília - A decisão do Banco Central (BC) de elevar a taxa de juros, tomada na semana passada, chegou para a população com mais de um mês de antecedência. Com base nos alertas de que os juros poderiam subir, o mercado financeiro embutiu antecipadamente essa possível alta nas taxas futuras e, na esteira, os bancos realinharam suas tabelas. Resultado: de julho para agosto, a taxa média geral cobrada nos financiamentos a pessoas físicas passou de 62% ao ano para 63,1% ao ano.
O mesmo movimento foi detectado para as empresas. A queda que havia sido verificada em agosto já foi integralmente revertida nos primeiros dez dias de setembro. O custo médio geral dos empréstimos para pessoas jurídicas subiu de 28,8% ao ano em agosto - a menor taxa em quase dois anos - para 30,8% no início deste mês. Nesse mesmo período, os juros nas operações com pessoas físicas se mantiveram no nível elevado de agosto.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC (Depec), Altamir Lopes, o que puxou a alta nos financiamentos para as pessoas físicas foram as operações de empréstimo pessoal, do tipo Crédito Direto ao Consumidor (CDC). Como essas linhas - aprovadas previamente pelos bancos - são transações de prazo mais longo, elas têm impacto direto das taxas futuras de juros. Nos últimos anos, essa modalidade de crédito tem sido utilizada pelas pessoas para fugir do alto custo do cheque especial. Enquanto os juros pagos no cheque especial passou de 140,1% para 140,6% ao ano em agosto, as taxas do CDC subiram de 71,7% para 73,8% ao ano.
Diante dessa situação, os consumidores, acredita Lopes, vão buscar novas alternativas para quitar débitos antigos, como o crédito em consignação. Nesse tipo de empréstimo, em que as prestações são automaticamente deduzidas do salário dos trabalhadores, os juros cobrados estão em 38,5% ao ano. Entre janeiro e agosto, o estoque dessas operações subiu de R$ 6,3 bilhões para R$ 9,4 bilhões.

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