Brasília Desde o início de outubro, o consumidor já está pagando mais caro pelo crédito no País. Os bancos reajustaram as taxas de juros para seus clientes, diante da expectativa criada no mês passado pelo próprio Banco Central de que iria aumentar a taxa básica Selic para manter a inflação próxima da nova meta de 5,1% em 2005. Embora em setembro os juros tenham permanecido estável na maioria dos bancos, o levantamento divulgado ontem pelo Banco Central para os primeiros nove dias úteis de outubro mostra uma tendência de alta para várias modalidades de crédito, entre elas o crédito pessoal e o financiamento para aquisição de veículos.
A elevação das taxas foi generalizada até o dia 14 deste mês. O crédito para pessoa física passou de 63,2% para 63,9% ao ano, enquanto para empresas pulou de 30,4% para 31,1%. Já o crédito pessoal subiu de 73,9% para 76,7% ao ano. Até as taxas cobradas para aquisição de veículos, que havia tido uma queda de 0,6% em setembro, subiram de 35,5% para 35,7%. Os dados definitivos de outubro serão divulgados no final de novembro.
Apesar destes aumentos, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ressaltou que as taxas de juros deverão chegar ao final do ano em níveis menores que o verificado ao fim de 2003. ''Mesmo com este aumento, teremos um Natal melhor'', disse. Segundo ele, a demanda por crédito vai continuar nesse final de ano. Ele argumentou que a confiança do consumidor está alta e que a renda também está crescendo.
Pelos dados divulgados, o volume de crédito concedido cresceu 1,9% em setembro, alcançando R$ 263,254 bilhões. Nos primeiros dias de outubro, essa tendência de alta continuou, com os dados apontando um crescimento de 2,9% no volume total de crédito em relação ao mês de setembro. No ano, o volume de dinheiro emprestado na economia cresceu 17,4%. Para o cliente comum, o aumento foi de 21%; para as empresas, de 15,1%.
Segundo Lopes, o crescimento do volume é liderado pelo crédito pessoal, com destaque para as operações em consignação. O crédito pessoal em setembro cresceu 2,4% e fechou o mês com R$ 106,568 bilhões. Já o crédito com desconto em folha, também chamado de consignação, cresceu 5,8 % no mês, alcançando R$ 10,152 bilhões.
O principal motivo para o aumento do crédito com desconto em folha, onde o abatimento das parcelas se dá diretamente do salário dos trabalhadores, é a taxa de juros, bem mais baixa que a do crédito pessoal. Em setembro, enquanto a taxa do crédito pessoal estava em 73,9% ao ano, a do crédito em consignação era de 39,1%.
Antes do aumento de 0,25 ponto porcentual da Selic em setembro, o Copom manteve a taxa estável por quatro meses. Por isso, Lopes destacou que em setembro as taxas de juros permaneceram constantes e estáveis, com pouca ou nenhuma variação com relação ao mês anterior. Foi isso o que ocorreu, por exemplo, com o cheque especial, cuja taxa de juros permaneceu em 140,6% ao ano.

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