Bancos e financeiras vão aumentar juros
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sexta-feira, 11 de setembro de 1998
Agência Folha 
Os bancos e as financeiras vão passar o final de semana ajustando suas novas tabelas de juros. Na segunda-feira, cheque especial, cartão de crédito e empréstimos ao consumidor e pessoal já vão estar custando mais caro. No cheque especial, por exemplo, as taxas mínimas de juros giravam ao redor de 6% ao mês. Devem subir pelo menos para 10%. No cartão de crédito, que sempre opera com trinta dias de defasagem, a alta dos juros só será sentida na próxima fatura.
É muito difícil em um dia de muita volatilidade, como foi o de hoje, estabelecer um preço, diz Roberto Setubal, presidente do Itaú e da Febraban (Federação Brasileira das Associações de Bancos). Na segunda, diz, as taxas tendem a se normalizar.
Para Setubal, a alta dos juros sempre tende a onerar os devedores, aumentando a inadimplência. Ele lembra, porém, que os bancos, faz tempo, estão adotando uma política seletiva e cuidadosa. Logo, acredita, a futura inadimplência não deve trazer problemas para o sistema financeiro.
Ontem, quem conseguiu pegar algum dinheiro emprestado pagou muito caro por isso. Bancos e financeiras praticamente suspenderam a liberação de financiamento para as empresas. Os consumidores até puderam comprar a prazo, mas o custo financeiro chegou a subir só ontem até 2,5 pontos percentuais.
O Banco Cacique, que administra o crediário de cerca de 200 redes de lojas, já está cobrando dos clientes quase 10% de juros ao mês. A taxa anterior era 7,5% ao mês. E achamos que isso vai mudar ainda mais, pois estamos sentindo que esse aumento não foi suficiente, diz Wanderley Vettore, diretor do banco.
Nos bancos, a palavra-de-ordem foi: prudência. O freio de mão também foi puxado. No Banco Sudameris, as operações de crédito realizadas ontem representaram cerca de 5% do valor de um dia normal. Não fomos originais, colocamos o pé no freio do financiamento assim como outros bancos porque perdeu-se o parâmetro de referência, diz Maércio Soncini, diretor do Sudameris.
Os raros empréstimos realizados ontem, conta Soncini, foram para pagamento em até 60 dias. As taxas cobradas variaram entre 5% e 6% ao mês. Nos empréstimos em dólar para leasing (veículos), para pagamento em até 24 meses, a taxa praticada pelo banco foi de 2,35% ao mês, mais a variação cambial. Foram poucas as operações nesses casos. O fato é que suspendemos os empréstimos porque não há sinais que mostram segurança para voltarmos a operar, o que esperamos que aconteça na próxima segunda-feira.


