Antes de entrar no vermelho, previna-se. Em tempos de corte de energia e alta dos juros, o melhor que se tem a fazer é evitar dívidas. Poupe ao máximo e, se o empréstimo for inevitável, faça um de curto prazo.
As dicas acima são de especialistas do mercado, que estão traçando um cenário negro para os próximos meses em decorrência da falta de energia. ‘‘As pessoas têm de se preparar e fazer um ‘‘colchão’ de reservas’’, afirma Hugo Penteado, economista da ABN Amro Asset Management. Para Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças), além de ter reserva financeira, é necessário ficar longe de empréstimos.
De olho no provável aumento da inadimplência, os bancos e as financeiras estão revendo seus planos: algumas taxas de juros para empréstimo já subiram, e a expectativa do volume de crédito para o ano foi reduzida.
O banco HSBC aumentou na última sexta-feira a taxa de juros para sua linha de crédito automática. ‘‘Subimos as taxas principalmente por causa do aumento dos juros básicos da economia’’, explica Maurício Alhadeff, diretor-executivo do varejo do HSBC. Os juros do banco foram de 4,3% para 4,9% ao mês.
Alhadeff conta que a demanda por crédito diminuiu nos últimos 15 dias. ‘‘Esse conjunto de notícias negativas vem afetando a confiança do consumidor.’’ A Exprinter Financeira, que tinha previsto crescimento de 35% no volume total de crédito no ano, reviu para 25% suas projeções.
‘‘A demanda por crédito já está diminuindo’’, diz o diretor Leonardo Benvenuto. Segundo ele, o consumidor está mais cauteloso, com medo de perder o emprego. ‘‘Se houver desemprego, a inadimplência tenderá a aumentar.’’ As taxas de juros na Exprinter estão entre 4,5% e 7,5%, dependendo do tipo de empréstimo. O banco Cacique aumentou a taxa de juros para CDC (Crédito Direto ao Consumidor) de bens de consumo duráveis em 0,5 ponto percentual há um mês. A taxa está em torno de 6%.

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