A proximidade do final de ano faz muitos vestibulandos sonharem com o ingresso na universidade. Porém, o maior entrave de muitos estudantes, é assumir as mensalidades do curso. Afora o governo federal, maior financiador do crédito educativo, por meio do Programa Universidade Para Todos (ProUni) e o Financiamento Estudantil (Fies), o segmento começa a chamar a atenção de bancos privados e empresas financeiras. Eles apostam em um desenvolvimento do setor nos próximos anos a partir da queda nos juros - como aconteceu com o crédito imobiliário.
Apesar do número expressivo de empréstimos concedidos no Brasil, foram destinados desde o ano passado cerca de R$ 21 milhões aos estudantes que recém-ingressaram na graduação e na pós; menos de 1% do estoque total de crédito do país, que é de R$ 279 bilhões, segundo o Banco Central.
Desde 2006, a Ideal Invest, especializada em soluções de crédito para o mercado de ensino, oferece o Crédito Universitário Pravaler por meio do qual é possível financiar a graduação em até o dobro do período do curso. Dados da própria empresa apontam que atualmente o Brasil tem um público estimado de seis milhões de pessoas interessadas em programas de crédito universitário. Dessas, 4,5 milhões estão fora do nível superior de ensino e 1,5 milhão estudam, mas têm dificuldades para pagar as mensalidades.
Segundo Daniela Nakaza, da Ideal Invest, o objetivo do programa é oferecer aos estudantes crédito mais barato para a educação, com bons prazos de pagamento e taxa de juros mais baixas. ''Nosso alvo é o vestibulando de classe média que tenha capacidade de pagamento reduzida. Já o Fies, por exemplo, destina-se ao aluno de baixa renda, além de possuir limite de vagas e recursos'', compara.
Pelas regras da Ideal Invest, o financiamento cobre a metade do valor da mensalidade em até o dobro do tempo do curso (metade durante a graduação e a outra depois de formado). Os contratos são feitos semestralmente, e os prazos chegam a 60 meses. Para quem fizer mais de um contrato, há uma carência de seis meses para o pagamento da primeira prestação, evitando, assim, a sobreposição de parcelas. As taxas de juros variam entre 0,3 e 1,5%. Os contratos são reajustados anualmente pelo IPCA e há cobrança de Taxa de Abertura de Crédito e de Cadastro. Por enquanto, os financiamentos são oferecidos aos cursos de graduação, presencial e tecnológico.
De acordo com Daniela, o candidato poderá saber se terá o parcelamento para o próximo ano antes mesmo de efetuar matrícula na faculdade. ''O estudante pode preencher uma proposta sem compromisso no site www.idealinvest.com.br'', informa. Toda a comunicação é feita por e-mail. Para pleitear o crédito, a renda do aluno (se a possuir) mais a do garantidor devem ser de, no mínimo, duas vezes o valor da mensalidade escolhida, e nenhum dos dois pode possuir pendências cadastrais junto a órgãos de proteção ao crédito (SPC e Serasa) e junto à Receita Federal (CPF irregular).
O Pravaler já fez parceria com 54 instituições e, desde sua criação, recebeu mais de 18 mil propostas de crédito, sendo que três mil foram aceitas. No Paraná, estudantes da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Faculdade Metropolitana de Curitiba (Famec), Grupo Educacional Opet e Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais (Cescage) podem ser beneficiados pelo programa. ''A Ideal Invest deve firmar novas parcerias com faculdades paranaenses ainda este ano'', adianta Daniela.
Mais de 150 mil vagas contarão com a cobertura do Pravaler no próximo vestibular de verão. O programa dispõe de R$ 250 milhões para financiar, até 2010, os estudos de jovens que ingressam na faculdade. A Ideal Invest nasceu em 2001 e tem entre os sócios a Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, e da Janos, empresa de participações dos donos da Natura.
Os grandes bancos privados, como o Bradesco, Santander e ABN Real possuem linhas de crédito apenas para estudantes da pós-graduação. Este último saiu na frente e iniciou um projeto-piloto com uma faculdade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, para financiar a graduação. O Banco do Brasil tem uma linha de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) que pode financiar, entre outras coisas, um curso superior com juros em torno de 2,33% ao mês.

mockup