Apostando no público jovem e nas novas gerações, os bancos digitais começam a ganhar espaço no Brasil. Apesar de não manterem contato físico com os clientes, eles apresentam como um dos principais diferenciais um atendimento "personalizado", pelo telefone, por chat ou mesmo pelas redes sociais.

Lançado em 2015, por um pequeno banco tradicional de Minas Gerais, o Inter já tem mais de 170 mil correntistas, segundo o gerente Executivo de Produtos, Ray Chalub. Agilidade e ausência de burocracia, segundo ele, estão entre os principais atrativos da instituição. A abertura da conta, feita toda pelo aplicativo, pode ser realizada em até dois minutos, depois de o cliente preencher os cadastros e fotografar os documentos pelo celular. "Após recebermos esses dados e esses documentos temos alguns robôs para análise automática." O tempo da aprovação da conta depende do perfil do cliente. Mesmo se for necessária uma análise por humanos, segundo ele, em geral, a conta é aprovada no mesmo dia.

O cartão da bandeira Master Card é enviado pelos Correios com a função débito liberada. Caso queira, o cliente pode solicitar opção crédito. O banco tem convênio com a Rede Bancos 24 horas e o gerente garante que não há cobrança de taxas para saques.

Ele conta como o cliente faz para colocar dinheiro em sua conta. Uma das possibilidades é por meio de transferências de outros bancos. Também pode fazer depósito fotografando cheques pelo aplicativo. Depois de compensado, o cheque pode ser jogado. Para depositar em espécie, o cliente precisa gerar um boleto pelo aplicativo no valor do depósito. E pagar esse boleto nas lotéricas ou nos bancos tradicionais. "O dinheiro estará na conta do nosso cliente em um ou dois dias", conta.

Imagem ilustrativa da imagem Bancos digitais ganham espaço



Redes sociais
Afastando a ideia de impessoalidade, Chalub diz que um dos diferenciais do Inter é estar mais próximo dos clientes. "Temos uma equipe altamente especializada e pronta para atendê-los seja pelo chat ou pelo telefone." Os clientes, no entanto, têm procurado mais o banco pelas redes sociais. "E nós também temos respondido por esses meios", alega.
O banco, de acordo com Chalub, detém a folha de pagamento de algumas grandes empresas. "Temos milhares de clientes recebendo salários pelo Inter."

FOCO NOS JOVENS
Outro banco digital que vem ganhando adeptos é o Neon. Com apenas um ano de mercado, já conta com mais de 130 mil clientes. "Oferecemos os principais serviços de um banco tradicional. Os clientes têm seus cartões para fazer compras, fazem transferências, pagam contas e investem", diz o responsável pelo marketing da empresa, Alexandre Alvares.

Apesar de ter clientes de públicos diversos, o Neon está focado na geração Millenial, de 18 a 35 anos. A média de idade é de 24 anos. "Nós oferecemos a eles soluções bem mais simples que as tradicionais. Ele podem por exemplo fazer uma transferência por comando de voz", alega.

No Neon, o cliente não tem opções variadas de investimento. Apenas um produto chamado Objetivos, que, segundo Alvares, rende 90% da taxa DI. "Identificamos que os jovens têm uma carência muito grande de entender os investimentos. Por isso, oferecemos um produto bastante simples."

Selfie
O aplicativo contém funcionalidades que ajudam o cliente a se organizar financeiramente. "O usuário estabelece uma meta de somar um valor determinado em determinado tempo. O próprio aplicativo calcula para ele quanto tem de poupar por mês. Desenvolvemos um modelo simples e amigável para os usuários", garante.
Para realizar saques, o cliente do Neon dispõe da rede Bancos 24 Horas. De forma gratuita, pode fazer apenas um saque e gerar um boleto por mês. Questionado se a limitação não representa uma desvantagem, ele nega. "Nós conhecemos a fundo nossos clientes. Sabemos como se comportam. Não costumam fazer muitos saques", justifica.

Alvares garante que o processo de abertura de conta leva apenas quatro minutos. "Pelo aplicativo, a pessoa preenche o cadastro, tira uma foto do documento pessoal e faz uma selfie." O cartão de débito é enviado pelos Correios. O banco ainda não oferece opção de crédito. O atendimento por telefone ou chat está disponível 24 horas por dia. O banco tem 90 funcionários em sua sede, em São Paulo.

Gigantes também entram na onda digital
Bradesco é a primeira instituição financeira privada do Brasil a oferecer banco digital. O Next foi lançado na última segunda-feira (5) em São Paulo e seu aplicativo está à disposição nas lojas digitais App Store e Google Play. Por meio dele, segundo a assessoria do banco, o cliente pode abrir conta, sem necessidade de ir a uma agência. O objetivo do aplicativo seria atender as pessoas que buscam "formas diferentes de gerenciar o próprio dinheiro".

"A nova plataforma reúne um conjunto de ferramentas desenvolvidas para garantir a melhor experiência ao usuário. Com linguagem simples e direta, e um sistema inteligente com algoritmos que permitem entender o comportamento das pessoas, o Next auxilia seus clientes na tomada de decisões, com produtos e serviços para o gerenciamento adequado do dinheiro, e sugere caminhos para a conquista de seus objetivos", diz texto enviado pelo Bradesco.

O banco digital, de acordo com a assessoria, permite ao usuário criar um orçamento mensal e definir a melhor forma de distribuir os gastos entre categorias. "O Next auxilia o usuário nesse planejamento e avisa quando ele não estiver cumprindo o objetivo. Também fará a oferta dos produtos e serviços financeiros, sempre tendo como base a necessidade específica e momento de vida do cliente." Os usuários do Next poderão usar o cartão de débito e crédito nas máquinas de autoatendimento Bradesco, na rede Banco24Horas e nos estabelecimentos comerciais. (N.B.)

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