Bancos dificultam extratos de contas de planos econômicos
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Pessoas com direito a receber as diferenças da correção de poupanças referentes a três planos econômicos do governo federal, estão encontrando dificuldades em comprovar a existência das contas da época porque os bancos se recusam a emitir os respectivos extratos.
Um exemplo é o comerciante João Gardin, que foi dono de uma lotérica em Ibiporã, a 13 quilômetros de Londrina, durante 29 anos. Ele se orgulha em dizer que a conta corrente de sua lotérica era a de número 1 na agência e a de pessoa física também era uma das primeiras. Gardin só não se lembra os números das contas de poupança, mas tem certeza que havia uma boa quantia depositada entre o final dos anos 1980 e o começo dos anos 1990. ''Hoje, não faço idéia de quanto teria para receber, mas acho que não seria pouco'', afirma.
A certeza vem do fato de que ele, como lotérico, era obrigado a manter uma caderneta de poupança vinculada na Caixa Econômica Federal como uma espécie de garantia pelos bilhetes que pegava para revender. Além disso, nesta mesma época, ele diz ter depositado o valor da venda de um imóvel na mesma poupança.
O comerciante já procurou a CEF por duas vezes para localizar suas contas de poupança da época, mas não obteve sucesso. O que ele mais estranha é que já precisou de extratos antigos da conta corrente, da própria Caixa, o que foi conseguido sem nenhum problema. ''Eles alegam que fica difícil procurar os extratos da poupança porque o número de clientes pedindo é muito grande e não há como localizar a conta pelo CPF'', afirma.
Sem outra alternativa, o comerciante vai recorrer à Justiça para conseguir a correção. ''Pretendo fazer isto o mais breve possível''.
A reportagem da FOLHA entrou em contato com a gerência regional da Caixa Econômica em Londrina e o setor de marketing informou que não poderia se manifestar sobre o problema por causa da greve dos funcionários, em andamento. ''Nós vamos falar sobre o assunto oportunamente'', resumiu a responsável pelo setor.
Recusa é crime
Os bancos são obrigados a manter a microfilmagem de suas operações financeiras por um certo período e, no caso das poupanças, por tempo indeterminado. ''A recusa em fornecer extratos a clientes é crime previsto no Código de Defesa do Consumidor'', informa Arnaldo Menck, coordenador de poupança da Pillatos Recuperação de Ativos Financeiros.
Segundo Menck, há uma resolução do Banco Central obrigando as intituições financeiras a arquivar os documentos de movimentação de contas. A empresa, de São Paulo, é especializada na recuperação de créditos e valores em dinheiro, de ordem pública ou privada. Os bancos, como afirma, têm 15 dias para fornecer os extratos quando solicitados por escrito, sendo tolerável a espera de até 30 dias. O extrato da conta, como destaca o representante da Pillatos, é documento fundamental para cálculos e para a cobrança dos valores na Justiça.


