Na primeira reunião realizada ontem, o Banco Central e a Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) decidiram que, no curto prazo, não deverá haver qualquer mudança nas regras para concessão de talões de cheque. Segundo o diretor de Serviços da Febraban, Jorge Higashino, as pressões por mudanças partiram do comércio, insatisfeito com o nível de inadimplência em todo o País. ‘‘O comércio tem que ser mais rigoroso na concessão do crédito’’, afirmou o diretor da Febraban. O assunto volta a ser discutido no próximo dia 3 entre a Febraban, o comércio e o Banco Central em nova reunião em São Paulo.
Na avaliação de Higashino, não há qualquer dúvida que os bancos poderiam reduzir os seus custos caso não fossem obrigados a conceder um talão por mês aos correntistas. Ou ainda, se fossem autorizados pelo Banco Central a cobrar por este talão. Mas ele ressaltou que uma alteração como essa depende de outra mudança, neste caso, de comportamento da sociedade. ‘‘Muita gente ainda depende de se dirigir a um caixa’’, afirmou. Fontes de outra entidade representativa dos bancos acreditam, no entanto, que com o atual nível de concorrência, as instituições não podem correr o risco de perder um cliente por não conceder um talão de cheques.
Sobre as sugestões do comércio para que os bancos coloquem a data de abertura da conta e o endereço dos correntistas nos cheques, Higashino afirmou que nada disso contribuiria para reduzir a inadimplência. O diretor da Febraban garantiu que, não só a questão do cheque, mas também a melhoria da qualidade no atendimento bancário está sendo discutida com o Banco Central. Ele afirmou que, desde 93, o número de cheques compensados teve uma redução de 38,53%. Em 94, o valor médio dos saques eletrônicos era de R$ 16,50 e hoje está em R$ 70,00. ‘‘Houve mudança no uso do cheque’’, ressaltou.
Na reunião em São Paulo, a Febraban pretende solicitar ao comércio que use o novo cadastro integrante do sistema Serasa, de proteção ao crédito, onde foram listados os concorrentistas que sustaram mais de três cheques em um semestre. A sustação de cheques é outra reclamação do comércio nas vendas a prazo.

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