Bancos denunciam falsificadores
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de setembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Os bancos brasileiros estão pedindo providências à Receita Federal, Polícia Federal e Banco Central contra escritórios especializados em falsificar documentos para profissionais autônomos que desejam abrir contas ou solicitar empréstimos, mas não possuem comprovante de renda.
A Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) encaminhou denúncia formal aos órgãos governamentais protestando contra falsificadores que anunciam publicamente seus serviços em jornais. O dossiê preparado pela Febraban inclui várias cópias de classificados que oferecem holerites de qualquer valor para interessados em abrir conta corrente ou financiar a compra de bens e veículos.
Segundo o Banco Central, o volume de empréstimos fornecidos pelos bancos para consumidores para a compra de bens aumentou 64,1% entre outubro do ano passado e março deste ano. O saldo total dos empréstimos saltou de R$ 5,32 bilhões para R$ 8,73 bilhões, para a compra de veículos e eletrônicos. O total de empréstimos para pessoas físicas saltou de R$ 15,3 bilhões para R$ 20,3 bilhões no período.
Os bancos temem que a proliferação de documentos falsos provoque aumento dos índices de inadimplência e calote. Publicações encontradas em jornais oferecem indícios veementes da existência de organizações que, aparentemente, dedicam-se à forja de documentação fantasiosa, para diferentes fins, afirma a carta da Febraban, assinada pelo diretor setorial de Operações Bancárias, Leocádio Geraldo da Rocha.
A Agência Estado entrou em contato com alguns dos anunciantes citados na denúncia da Febraban. Eles cobram em geral 10% do valor da renda que o interessado deseja comprovar. Alguns escritórios falsificam contracheques de empresas fantasmas. Quem deseja um comprovante de renda mensal de R$ 3 mil terá de pagar R$ 300,00 aos falsificadores. Alguns dos anunciantes já foram investigados pela polícia e, quando procurados pela reportagem, alegaram desconhecer a autoria das publicações.
Um ex-funcionário da Receita Federal, do Rio de Janeiro, oferece outra alternativa de comprovação de renda que, segundo ele, nada tem de ilegal. Ele faz uma declaração de Imposto de Renda para autônomos e inscreve o interessado como contribuinte ativo. Tudo é feito dentro da lei, garante o proprietário da Central do Autônomo, identificado no anúncio como sr. Rebello.
A Febraban considera que esse tipo de declaração também pode trazer problemas ao mercado de crédito. Os instrumentos prometidos pelos diferentes anunciantes - holerites de qualquer valor, declarações de rendimentos e comprovantes de renda - parecem prestar-se a diferentes espécies de falsificações de documentos, afirma a carta do diretor da Febraban.


