Brasília - A melhoria esperada nos meios de pagamento utilizados pelos brasileiros, pessoas físicas ou empresas, para fazer compras em geral ou quitar dívidas do dia a dia deverá ser acompanhada também de maior custo. As mudanças que estão por vir, após dois anos de adoção do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), deverão dar mais rapidez às operações, mas também reduzirão parte das receitas dos bancos, que, por sua vez, compensarão as perdas com aumento dos valores cobrados dos clientes.
Esse efeito cascata pode ser ilustrado com a alteração na forma de processamento das fichas de cobrança em geral, prevista para o segundo semestre. O Banco Central (BC) e os bancos trabalham para que essas fichas, que hoje são utilizadas para pagamento desde faturas de cartão de crédito, assinaturas de revistas, mensalidades escolares a dívidas de empresas com fornecedores em geral, deixem de ser processadas no sistema antigo da Câmara de Compensação (Compe) e passe para o SPB. Isso permitirá mais rapidez na movimentação dos recursos para os credores e reduzirá o risco para o sistema financeiro, transferindo transações de maior valor da Compe para um sistema mais moderno e com garantias que evitam problemas em caso de quebra de instituições.
A maior rapidez no processamento dessas fichas de cobrança significará uma perda de receita para os bancos. Hoje, quando um cliente vai pagar uma dessas fichas de cobrança emitida por outra instituição financeira, o banco que recebe o pagamento cobra do emitente uma tarifa pelo serviço e ainda ganha com o giro dos recursos no mercado naquele dia, já que o dinheiro só será transferido no dia seguinte. ''Esse custo já está embutido na transação, no valor da taxa de administração cobrada do cliente, no do cartão de crédito ou mesmo no custo do produto que será vendido com a possibilidade dessa forma de pagamento'', explica o diretor de um grande banco nacional.
Quando as fichas passarem a ser processadas no SPB, o banco que recebeu o dinheiro do cliente não poderá operar com os recursos no mercado. ''Com o SPB, os bancos perderão um dia de giro e a tarifa para realização do serviço deve subir'', admite o diretor. Como esse é um custo que transferido pelos bancos para quem utiliza essa forma de pagamento, a conta, no final, ficará com o usuário dos meios de pagamento: o consumidor e as empresas em geral.
Inicialmente, somente as fichas de cobrança acima de R$ 5 mil deverão ser transferidas para o SPB, mas a tendência é de que esse valor seja reduzido gradualmente, assim como se pretende fazer com as Transferências Eletrônicas Disponíveis (TEDs), as transferências em tempo real que substituíram os Documentos de Ordem de Crédito (DOCs) na movimentação de valores elevados. Hoje, o valor mínimo para se realizar uma TED é de R$ 5 mil, mas o bancos já estudam reduzi-lo em R$ 1 mil a cada seis meses, a partir de janeiro do ano que vem.

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