Bancos aumentam mordomias para vips
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sábado, 24 de fevereiro de 2007
Vera Dantas<br> Agência Estado 
São Paulo - Oferecer crédito é pouco. Para conquistar clientes endinheirados, os bancos, em parceria com as bandeiras de cartões de crédito, estão investindo cada vez mais alto na oferta de serviços e num cardápio de mordomias variado. Afinal, o público com renda na faixa de R$ 20 mil a R$ 30 mil por mês ou aplicações financeiras superiores a R$ 1 milhão é restrito e a disputa em torno desse consumidor, enorme.
Programas como voar de balão, cozinhar com um chef de cozinha famoso ou até mesmo passar três dias a bordo de uma estação espacial são algumas das aventuras que começam a ser oferecidas pelas empresas de cartões de crédito para o chamado consumidor AAA. ''São clientes que exigem serviços infalíveis, não podem ter seu cartão recusado e suas transações são monitoradas'', resume o responsável pela área de cartões do Unibanco, Carlos Formigari.
Por isso, têm plásticos especiais (o Black da Mastercard e o Infinite da Visa), com vantagens como acesso às salas vips de aeroportos, seguros de viagem de valores elevados e serviços de concierge para satisfazer as mínimas exigências dos portadores.
''Atendemos um cliente interessado em alugar uma Harley-Davidson na Croácia e em devolvê-la em Milão e outro que desejava mandar dois buquês de rosa para uma hóspede no Plaza Athenée, em Paris. As flores deveriam chegar em meia hora no hotel'', conta o diretor de produtos para alta renda da Mastercard, Venâncio Castro. ''Já tivemos de comprar pratos numa loja de Luxemburgo para enviá-los para a Suécia e encontrar uma réplica em miniatura de uma Ferrari de 1958'', lembra um dos diretores da American Express, Cesario Nakamura.
A lista de ''experiências'' ofertadas pelas empresas é extensa. Dependendo da pontuação do cartão, pode ser um jantar romântico ou outras com tom de aventura, como pilotar um carro de Fórmula 1. Mas o desafio mais exótico para portadores de cartões de alta renda, uma viagem ao espaço de oito dias, sendo três a bordo da Estação Espacial Internacional, não foi até agora reivindicado por ninguém. ''Precisa ter 2 bilhões em pontos no cartão Platinum. Antes de embarcar na Soyuz o candidato tem um treinamento de dois anos em Moscou. Nada fácil'', resume Nakamura.
O cartão Black, o top da Mastercard oferecido por Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil a clientes selecionados a dedo não tem limite de crédito. ''Conforme o comportamento de gasto do consumidor, vamos atualizando o crédito'', diz Formigari, do Unibanco. Para ter acesso ao produto, o cliente do Banco do Brasil, explica o gerente executivo Osmar de Souza Filho, precisa ter investimentos na instituição de, no mínimo, R$ 1 milhão.
Segundo a Mastercard o tíquete médio de gastos dos portadores do Black é de R$ 6,5 mil/mês, enquanto o gasto de quem tem um Platinum (sofisticado, mas para uma faixa de renda um pouco menor) é em torno de R$ 1,5 mil. No mercado, conforme a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito, o tíquete médio de gastos, em 2006, ficou em R$ 75.
Os programas de recompensa mostram a disputa dos bancos pelo público de alta renda. ''Quando começaram, esses programas de pontuação ofereciam um ponto por dólar gasto. Hoje há bancos que oferecem o dobro'', diz o subgerente de alta renda da Visa, Eduardo Chedid. Cerca 2 milhões de pessoas atendem ao perfil do cartão.
São consumidores que viajam, em média, oito vezes por ano. ''Notamos que as despesas com agências de viagem aparecem em segundo lugar para os portadores do cartão Infinite. Para quem não está no topo da pirâmide, esses gastos não figuram nem entre as quatro primeiras prioridades'', diz o superintendente do Banco Real para a área de cartões, Mario Mello.
O próximo produto para a alta renda, segundo comentários de mercado, é o Centurium Black, da American Express. Ele deve ser voltado para quem pode gastar em torno de R$ 300 mil por ano e que estaria disposto a pagar uma anuidade de US$ 2 mil pelo cartão. A American Express não faz comentários sobre o lançamento, mas hoje a empresa atinge o público de alto poder aquisitivo com o The Platinum Card. ''É para um consumidor que gasta por cartão cerca de R$ 20 mil por ano. Os usuários dos outros plásticos têm despesas em torno de R$ 2,4 mil'', compara o diretor da área, Marcelo Noronha.


