Bancos argentinos dizem que pesificação será desastrosa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de janeiro de 2002
Das Agências 
Buenos Aires Os bancos da Argentina afirmam que a pesificação dos empréstimos representará um desastre para o setor. Executivos de bancos afirmam que o rombo com a transformação das dívidas contraídas em dólares em pesos pelo antigo câmbio de 1 a 1, determinada pelo governo, seria de cerca de US$ 15 bilhões nos próximos cinco anos. O governo diz que essa perda deverá ser compensada com o novo imposto às exportações de petróleo e derivados também criado pelo pacote. Mas os bancos fazem outras contas.
Segundo o economista Raúl Ochoa, cálculos mais conservadores feitos por outros banqueiros afirmam que a perda será de cerca de US$ 10 bilhões. Mas se fizermos as contas com uma percentagem de 25% sobre as exportações de petróleo e derivados (cinco pontos percentuais a mais do que os 20% cogitados pelo governo), o montante arrecadado pelo governo para repassar aos bancos seria de aproximadamente US$ 1 bilhão ao ano. O vermelho para os bancos seria em cinco anos de US$ 5 bilhões, afirma. A Associação de Bancos a Argentina diz que ainda não sabe qual vai ser o impacto exato da pesificação.
Com a pesificação, os valores antes expressos em dólares são transformados em pesos pelo câmbio antigo de 1 a 1. Seriam pesificados os empréstimos hipotecários de até US$ 100 mil dólares e os para reforma de moradia até US$ 30 mil. Para as dívidas contraídas para a compra de carros o limite seria de US$ 15 mil. E os empréstimos pessoais seriam pesificados até no máximo US$ 10 mil
A situação econômica ficou ontem ainda mais dificil para os consumidores e comerciantes argentinos. As administradoras de cartões de crédito decidiram suspender o sistema de parcelamento das compras na Argentina por tempo indeterminado. As administradoras alegam que as novas regras acarretam prejuízo. E dizem que implantar um sistema de parcelamento em pesos com juros ainda não é possível porque não estão definidas as taxas que o mercado usará.
Protestos Pelo segundo dia seguido, o governo de Eduardo Duhalde defrontou-se com o fantasma que, no espaço de duas semanas, derrubou dois presidentes: os protestos sociais. Se anteontem as manifestações ficaram circunscritas a Províncias do interior do país, hoje os manifestantes bateram às portas dos Poderes centrais, na capital Buenos Aires. Defronte à sede do Ministério da Saúde, funcionários de hospitais protestaram pelo atraso no pagamento de salários (que deveriam ter sido feitos em patacones, título da Província de Buenos Aires que serve como uma moeda paralela).


