Os bancos apostavam ontem que os juros do over, o mercado por um dia, ficariam em torno de 30% ao ano hoje. Ontem, eram de 32%. O Banco Central subiu ontem a TBC (piso dos juros do over) de 19% ao ano para 29% e deu uma indicação clara que não quer os juros anuais abaixo desse patamar. O BC reduziu a Tban (teto do over) de 42,25% para 36%.
A maior parte dos investidores estima que o BC não vai mais intervir no over e reduzir gradualmente os juros, como vinha fazendo desde a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do dia 11 de novembro. Ontem, por exemplo, tomou recursos a 32% ao ano, um corte de 0,2 ponto em relação a ontem. A partir da reunião do Copom de ontem, segundo especialistas, o BC deixaria os juros oscilarem livremente entre a Tban e a TBC.
O mercado financeiro brasileiro teve ontem mais um dia de tensão, com a Bolsa de Valores de São Paulo chegando a cair 7,26%, para fechar em baixa de 4,55%. As preocupações com relação à guerra no Golfo Pérsico e ao impeachment do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, atingiram o mercado.
Também os rumores de que o presidente do Banco Central brasileiro, Gustavo Franco, estaria para deixar o cargo, voltaram com força. Esses rumores embutem expectativas de desvalorização mais forte do real. Voltou a preocupar o fluxo cambial, que depois do saldo positivo de cerca de US$ 5 milhões anteontem apresentou saldo negativo de US$ 216 milhões ontem. Até as 19h30, a evasão de divisas era de US$ 138 milhões pelo comercial e US$ 78 milhões pelo flutuante, um segmento do turismo.
O vencimento dos contratos futuros de dezembro do Indice Bovespa (das ações mais negociadas em São Paulo) foi determinante para a queda forte na Bolsa. Investidores interessados em deixar o mercado futuro de Ibovespa venderam suas ações no mercado à vista, pressionando os preços para baixo.

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