Representantes de vários grandes bancos alemães indicaram ontem que suas instituições manterão as linhas de crédito interbancário e comercial para o Brasil, depois de ouvirem uma apresentação detalhada sobre programa econômico do governo, feita pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. A platéia de cerca de 60 executivos, que ouviu Malan num salão do hotel Frankfurter Hof, fez apenas três perguntas no final da exposição - nenhuma delas sobre a controvérsia em torno do grampo telefônico no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Esta foi a segunda escala do ‘‘road show’’ de Malan pelos grandes centros financeiros, que começou em Nova York na segunda-feira. Também não houve perguntas sobre taxa de câmbio ou a capacidade do governo de rolar a dívida interna, dois temas recorrentes nas análises que economistas do mundo acadêmico fazem sobre os riscos que rondam a estratégia econômica brasileira.
O ministro almoçou com um grupo de dirigentes de empresas alemãs no Deutsche Bank. À tarde, ele teve encontros com o presidente do Banco Central Europeu, Win Duisenberg, e com o presidente do Bundesbank, o BC alemão, Hans Tietmeyer.
‘‘Diante da importante assistência financeira que o Brasil negociou com o Fundo Monetário Internacional, as chances de que os bancos alemães continuarão no Brasil são bastante elevadas’’, disse Rainer Schafer, economista-chefe do Dresdner Bank para mercados emergentes. ‘‘A situação do mercado melhorou bastante no mês passado’’.’’
Malan, que começou o dia com um café da manhã com presidentes dos maiores bancos alemães, disse que ouviu deles o que buscava, ou seja, o compromisso de preservação das linhas de crédito e de sua gradual elevação.
Charles Dallara, diretor gerente do Institute of International Finances, baseado em Washington, que representa 300 grandes bancos comerciais, bancos de investimento, corretoras e seguradoras, comunicou-lhes a reação positiva que a apresentação do ministro gerou entre os bancos norte-americanos, no início da semana.
Como fizera em Nova York, Malan chamou atenção para o mandato político que o presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu no dia 4 de outubro para levar adiante o programa econômico que está sendo agora executado. Ele lembrou, também, que 70% das medidas do plano já estão em vigor e que a maioria das que faltam serão decididas por legislação ordinária, que exigem maioria simples para passar.

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