Bancos alegam risco de morte por juros maiores de aposentados
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terça-feira, 04 de novembro de 2003
Vânia Cristino<br>Agência Estado 
Brasília Os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) podem ter de pagar mais que o dobro em juros bancários do que vem sendo oferecido aos trabalhadores com carteira assinada para obter empréstimo com desconto em folha de pagamento. Na primeira reunião entre a Previdência Social e os representantes dos bancos para discutir as condições do empréstimo e as taxas de juros, as instituições financeiras propuseram juros entre 4,5% e 5% ao mês. As taxas que vêm sendo negociadas para os trabalhadores assalariados giram em torno de 2% ao mês.
Na curta reunião presidida pelo ministro da Previdência Social, Ricardo Berzoini, o clima ficou tenso. Sem poder obrigar diretamente os bancos a oferecerem uma taxa de juros mais razoável, o ministro foi logo avisando que não abrirá mão de monitorar o sistema. Ele garantiu que constará da instrução normativa do INSS a obrigatoriedade de as instituições financeiras informarem as taxas dos empréstimos aos beneficiários da Previdência Social. As taxas informadas pelos bancos conveniados estarão disponíveis a todos os interessados no site da Previdência na internet.
De acordo com os técnicos que acompanharam a reunião, o motivo alegado pelos bancos para a taxa de juros mais alta para os aposentados foi o risco da morte do beneficiário. Como a clientela da linha de crédito seria mais velha e não existe, como no caso dos trabalhadores assalariados, possibilidade de se avançar sobre verbas rescisórias para a quitação do saldo devedor, a taxa de juros teria que subir. Os aposentados presentes à reunião não concordaram com a justificativa dos bancos.
''A pensão reduz o risco'', argumentou o presidente da Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (Cobap), João Resende Lima. Ele disse que a expectativa da entidade é que a taxa de juros ficassem entre 1,5% e 1,7% ao mês. Nova reunião foi marcada para o dia 18 de novembro.
Resende Lima acredita que até o fim do ano todas as condições para o empréstimo já estejam negociadas. Crédito mesmo, os 17 milhões de aposentados e pensionistas do INSS só deverão poder dispor a partir de janeiro de 2004.


