Bancos adotam crédito longo para venda de imóveis
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sábado, 10 de junho de 2006
Márcia De Chiara<br>Agência Estado 
São Paulo - Depois do comércio financiar a compra de produtos em prestações fixas por prazos longos, agora é a vez dos bancos apostarem nessa fórmula de crédito para a venda de imóveis.
O empresário Alcir Leal dos Santos, de 37 anos, casado e com um filho, acaba de comprar um casa usada por R$ 1,2 milhão. Ele conta que, para fechar o negócio, deu uma entrada de R$ 1 milhão e financiou R$ 200 mil em 15 anos. As prestações mensais estão fixadas em R$ 3,7 mil, sem correção.
Optei por essa fórmula de financiamento porque a taxa efetiva de juros era menor do que a oferecida por outros bancos, diz Santos. O fato de ser um um importante fator que o fez decidir por esse tipo de financiamento foi a sua desconfiança em relação a alguns indicadores econômicos. Existem alguns indicadores na economia que estão mascarados, diz. Um deles é o câmbio. Não dá para segurar uma taxa de câmbio tão baixa por um período de tempo tão longo.
O raciocínio que sustenta a afirmação do empresário é que, em algum momento, deverá ocorrer a desvalorização do câmbio. Com isso, os preços domésticos serão afetados, a inflação deve aumentar e a prestação fixa encolher, em termos reais, isto é, já descontada a inflação.
Esse, no entanto, não é o cenário traçado para a economia pelos bancos que oferecem esse tipo de financiamento. A nossa grande aposta é no cenário estável da inflação e no atendimento da necessida-
de dos nossos clientes, diz o superintendente de Crédito Imobiliário do Santander Banespa, José Manoel Alvarez Lopez.
Ele conta que, em abril do ano passado, o banco lançou o financiamento de imóveis com parcelas fixas mensais por 10 anos, com juros anuais embutidos nessas parcelas de 16,95%.
Em março deste ano, o banco ampliou o prazo para 20 anos. Percebemos que 10 anos não eram suficientes.
O resultado do alongamento do prazo foi a diminuição do valor mínimo de financiamento dos imóveis e o aumento da fatia do mercado.
Com financiamento em 10 anos, o valor mínimo do imóvel era de R$ 350 mil. Em 20 anos, o valor mínimo do imóvel caiu para R$ 40 mil.
Com as mudanças nos prazos, o volume de negócios de crédito imobiliário cresceu duas vezes e meia de fevereiro para maio, diz Lopez. Sem revelar as cifras financiadas, o superintendente conta que, de cada dez propostas de financiamentos hoje aprovadas pelo banco, quatro são de financiamentos com prestações fixas. O restante segue as regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), com prestações corrigidas pela Taxa Referencial, a TR.


