Banco vendeu terreno irregular em Londrina
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quinta-feira, 31 de agosto de 2000
Guto Rocha De Londrina 
O comerciante Carlos Roberto Dellarosa, de Londrina, está reivindicando na Justiça a devolução do dinheiro aplicado na compra de um imóvel que pertencia ao Banestado. Segundo ele, a escritura de um terreno, que estava no nome do banco, indicava que a área era de 20 mil metros quadrados e incluía um barracão com 1.000 m2. Mas quando fui cercar a área constatei que faltavam seis mil m2 de área, afirma.
O terreno, localizado na BR-369, km 165, em Cambé, havia ido a leilão mas como não houve compradores, ele foi vendido diretamente a Dellarosa por R$ 180 mil em agosto do ano passado. Segundo o comerciante, ele deu uma entrada de R$ 40 mil e financiou o restante em 70 parcelas de R$ 2 mil. Dellarosa afirma que ele comprou o terreno para instalar uma indústria de móveis. Comprei alguns equipamentos, investi no término e ampliação do barracão, e agora está tudo parado.
Depois de ter constatado que o terreno estava incompleto, Dellarosa contratou um topógrafo que confirmou a informação que havia sido dada por um vizinho. Ele conta que recorreu a prefeitura de Cambé, que também ratificou o problema com a área. Procurei o banco, e eles também enviaram um topógrafo que constatou que faltavam 6 mil m2, e que na área em questão havia sido construído um barracão de 2 mil m2, pertencente ao vizinho, afirma.
Dellarosa diz que tentou negociar com o banco, mas segundo ele, a orientação que recebeu da própria instituição foi de que entrasse na Justiça. Ajuizei a ação na Justiça em Cambé, e em junho deste ano obtive ganho de causa, afirma. Na sentença, a juíza da Vara Cível de Cambé, Márcia Guimarães Marques Luz, determinou que o Banestado devolvesse o dinheiro aplicado pelo comerciante com juros e correção monetária, além de ressarcimento por perdas e danos. Mas o banco recorreu, afirma.
A assessoria do Banestado informou ontem à Folha que o banco está aberto à negociação com Dellarosa. O banco aguarda uma contraproposta do comprador do terreno, afirmou a assessoria.
Mas segundo Dellarosa, que esteve esta semana na diretoria do Banestado para tentar negociar um acordo, o banco quer uma declaração por escrito do valor da sua proposta. Mas isso será usado contra mim na ação que está correndo, o que pode atrapalhar o trâmite. Como posso apresentar uma contraproposta se eles (o banco) ainda não apresentaram uma proposta, argumentou.


