Brasília - Num ano em que os bancos apresentam lucros recordes, começou a operar uma instituição financeira que tem licença para dar prejuízo - não por um, mas por até dois anos. É o Banco Popular, ou BB Pop, uma subsidiária do Banco do Brasil (BB) que opera com microcrédito. Esse banco está concedendo empréstimos a pessoas que, na maior parte das vezes, nunca tiveram conta corrente. E, neste processo, é de se esperar que haja alguma inadimplência.
''Temos pessoas abrindo uma conta corrente pela primeira vez na vida; elas estão lidando com algo novo'', disse o presidente do Banco do Brasil, Rossano Maranhão, em sua primeira entrevista exclusiva após assumir o posto. ''É um processo estrutural e educativo, que vai se consolidar ao longo do tempo, e já prevíamos isso.''
Mas alguma perda com o BB Pop é algo que o Banco do Brasil suporta bem, porque isso faz parte de sua estratégia de crescimento. Os bancos privados crescem comprando instituições financeiras de menor porte. O Banco do Brasil, por ser do governo, enfrenta restrições para seguir essa mesma estratégia. Sua expansão se dá por outro caminho: a ampliação da base de clientes.
''Estamos trabalhando a base futura do banco. À medida que esses clientes atingirem um estágio de bancarização, eles vão migrar para nossas agências'', explica. Essa mesma estratégia de ''fidelização'' do cliente é seguida pelo Banco do Brasil em sua atuação no financiamento agrícola, segundo Maranhão.
''O plano de negócio do Banco Popular previa prejuízo nos dois primeiros anos e a meta estabelecida foi para abertura de pontos (de atendimento) e de contas'', explicou. Sem citar números, ele diz que esses prejuízos não afetam o resultado do Banco do Brasil de forma significativa. ''Não faz nem cócegas.''
Somente no primeiro trimestre deste ano, o banco apresentou lucro líquido de R$ 965 milhões, um dos melhores desempenhos da história e 56% maior do que o valor verificado no mesmo período de 2004. Boa parte desse lucro veio das operações de crédito, que cresceram 17,1% nos três primeiros meses do ano em relação ao primeiro trimestre de 2004 e somam R$ 93,3 bilhões. Enquanto isso, as 587,6 mil operações de empréstimos concedidas pelo BB Pop não chegam a R$ 50 milhões.

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