Brasília - A Caixa Econômica Federal obteve no ano passado o maior lucro líquido da sua história: R$ 1,616 bilhão contra um resultado de R$ 1,081 bilhão obtido em 2002. Desse total, a Caixa destinará para o Tesouro Nacional, único acionista da instituição, R$ 810 milhões em dividendos.
A maior parte desse montante, no entanto, já foi repassado aos cofres públicos. Com escassez de recursos no ano passado, o Tesouro pediu e a Caixa antecipou R$ 759 milhões.
O presidente da Caixa, Jorge Mattoso, comemorou o desempenho da instituição em 2003. ''Foi um resultado extraordinário'', disse. Ele argumentou que o lucro líquido da Caixa veio acompanhado de melhoria significativa dos indicadores de saúde financeira, volume de crédito e diminuição do risco, além da redução de custo e desperdício. Mattoso destacou que, pela primeira vez em 10 anos, a instituição aplicou todo o orçamento de R$ 1,4 bilhão em saneamento, avançando, inclusive, sobre a parte não utilizada em 2002, que somou mais R$ 300 milhões.
O patrimônio líquido da Caixa aumentou 24,71% em 2003, passando de R$ 4,628 bilhões para R$ 5,772 bilhões. O índice de Basiléia, que mede a saúde financeira do banco levando em conta o risco dos seus ativos, cresceu de 14,67% para 19,24% durante o ano. Isso significa que a Caixa tem condições de alavancar ainda mais seus empréstimos, uma vez que o índice mínimo exigido pelo Banco Central é de 11% - ou seja, para cada R$ 1 mil emprestados o banco tem de ter R$ 110 de recursos próprios. A Caixa está com R$ 192,40 e tem, portanto, condições de emprestar mais.
Aumentar o volume de empréstimo é, segundo Mattoso, um dos objetivos da instituição esse ano. Ele admitiu que grande parte do lucro líquido da Caixa veio das operações de tesouraria - com títulos públicos e privados. O volume de crédito cresceu, mas ainda aquém do potencial do banco, cuja carteira de empréstimos representa 10,08% do mercado. Em 2003 a Caixa chegou a ter R$ 19 bilhões emprestados no crédito comercial. Outros R$ 7 bilhões foram aplicados em habitação e saneamento.
Para 2004, a Caixa espera emprestar cerca de R$ 30 bilhões no crédito comercial e aplicar perto de R$ 12 bilhões em habitação e saneamento. A Caixa quer também recuperar espaços perdidos no mercado por falta de investimento em tecnologia e na rede de agências.

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