Os bancos públicos respondem pela maior parte do aumento da inadimplência no sistema financeiro, segundo o Banco Central. A inadimplência nos empréstimos bancários disparou a partir de outubro do ano passado, quando o governo promoveu o primeira alta de juros para combater a crise asiática.
O volume geral de créditos inadimplentes aumentou 37,85% entre outubro de 97 e agosto de 98, saltando de R$ 13,578 bilhões para R$ 18,717 bilhões. É natural que a inadimplência cresça quando os juros estão mais altos. Mas as estatísticas oficiais revelam que os bancos públicos tiveram um aumento muito mais expressivo nos índices de inadimplência do que os bancos
privados.
A inadimplência dos bancos privados cresceu apenas 17,45% no período. Eles tinham, em outubro de 97, um volume de inadimplência de R$ 3,691 bilhões. Em agosto de 98, esse número havia atingido R$ 4,335 bilhões. No caso dos bancos públicos, o aumento foi de 45,46%: o volume de créditos inadimplentes cresceu de R$ 9,887 bilhões para R$ 14,382 bilhões.
Quando comparado com o volume total de empréstimos, a inadimplência do setor público se torna ainda mais visível. Em agosto de 98, 10,5% dos créditos concedidos pelos bancos públicos estavam inadimplentes. Em outubro de 97, a relação era de apenas 6,7%.
Os bancos privados têm índice de inadimplência bem menor. Em agosto de 98, apenas 5,4% de suas carteiras estavam inadimplentes. Em outubro de 97, a taxa de inadimplência estava em 4,5%.
Como os dados sobre inadimplência são divulgados pelo BC com dois meses de defasagem, os números ainda não capturaram os efeitos dos dois aumentos de juros promovidos no início de setembro.
Além das taxas mais altas, o aumento da inadimplência dos bancos do setor público também reflete os efeitos do programa oficial de socorro às instituições estaduais.
Para receberem injeções de recursos do Tesouro Nacional, os bancos estaduais são obrigados a lançar como inadimplentes créditos que até então eram artificialmente considerados como de boa qualidade. Pelos critérios do BC, são considerados inadimplentes créditos que não foram recebidos 60 dias após o vencimento.
Apesar da disparada da inadimplência, os dados do BC mostram relativa solidez do sistema financeiro, que separou capital aparentemente suficiente para cobrir os prováveis prejuízos.

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