Banco Postal tem 1,6 mil clientes em Londrina
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quinta-feira, 14 de outubro de 2004
Vera Barão<br> Reportagem Local 
A operadora de marketing Kelly Cristina Gonçalves Ferreira, 16 anos, abriu ontem sua primeira conta bancária sem precisar comprovar renda ou ter o cadastro aprovado por algum gerente. Ela é uma das 1.051 clientes do Banco Postal da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), agência central, que atua como correspondente bancário do Bradesco desde o final de 2002. Em Londrina, o Banco Postal funciona em três agências dos Correios as outras estão nas Avenidas JK e Arthur Thomas somando 1.660 correntistas. No Brasil, são mais de 2 milhões de clientes.
Kelly Cristina não conhecia o sistema até há poucos dias, quando foi informada no novo emprego que precisaria ter uma conta no Bradesco para receber o pagamento. ''Fui até a agência do Bradesco e me mandaram para o Correio. Não sabia que aqui tinha banco'', comentou ela, ao lado da mãe que acompanhou todo o procedimento.
Mesmo sendo uma cliente nova, Kelly Cristina já consegue visualizar algumas vantagens na abertura da conta num local tão inusitado. ''A manutenção da conta é menor aqui do que nas outras agências'', informou a garota que, na abertura, ganhou uma poupança vinculada na qual já depositou algum dinheiro para o futuro. ''Ela está começando a trabalhar agora e já pensa em guardar o dinheiro. Isso é muito bom'', comentou a mãe, Terezinha Gonçalves Ferreira.
A idéia de transformar as agências dos Correios em bancos veio do Japão, onde a empresa tem a maior rede de atendimento (Postal Savings Bureau) com 125 milhões de correntistas, contou a surpervisora do Banco Postal em Londrina, Cíntia Maria Alves, que é funcionária da ECT. Segundo ela, o projeto surgiu no Brasil em 2002, após o Bradesco vencer uma licitação para a parceria e, hoje, já atua nos 5.601 municípios com ótimos resultados.
''O objetivo é fornecer serviços de banco às pessoas de baixa renda. Partimos do princípio de que nossos clientes não teriam condições de abrir uma conta numa rede bancária normal'', explicou a supervisora, acrescentando que a idéia inicial era implantar os serviços em cidades com até sete mil habitantes mas que hoje é a maior rede de atendimento da América.
De acordo com Cíntia, além do baixo custo para a manutenção da conta (R$ 3,80 mensais), a linha de frente do serviço são os empréstimos com taxas de juros em 2%. O banco disponibiliza microcréditos na ordem de R$ 580 para pagamento em 24 parcelas, após três meses de conta aberta, tanto para pessoa física quanto jurídica. Também é oferecida uma linha de crédito especial aos aposentados com valores maiores e mais prazo para pagamento. ''Como não é exigido renda para abertura da conta, em três meses conseguimos ter o perfil do cliente para fazermos os empréstimos'', argumentou Cíntia. O atendimento dos clientes na agência central é feito nos 16 guichês onde também se envia cartas ou outros serviços de correspondências.


