de Brasília
A sobrevalorização do real em relação ao dólar já acumula cerca de 25% entre os anos 1990-1992 e o segundo semestre do ano passado e está prejudicando as condições de competição dos exportadores, alerta relatório sobre o Custo Brasil do Banco Mundial (Bird).
O número foi calculado com base na diferença da inflação brasileira para a americana e é um valor de referência. Não foi calculado um valor exato porque, se a comparação for feita entre 1996 e 1992, a sobrevalorização seria de 29,95%. Se a base de comparação for a média entre 1990 e 1992, a apreciação seria menor, de 21,6%.
O relatório do Banco Mundial afirma, também, que o aumento de produtividade das empresas brasileiras no período, principal defesa dos produtores contra a sobrevalorização do real, pode estar superestimado. Enquanto as estatísticas mostram um aumento de 40% na produção por hora de trabalho ao longo dos anos 90, o aumento real seria de apenas 20% a 30%, pelos cálculos do Bird.
A distorção nos números seria causada pela terceirização, ou seja, a transferência de partes de serviços de empresas para firmas menores, principalmente estrangeiras ou informais. Assim, um produto parece ter sido feito por menos trabalhadores, enquanto apenas houve uma redistribuição de empregados para outras empresas.
Mesmo descontado este efeito, a produtividade suavizou o aumento relativo de custos dos exportadores, segundo o relatório. O ganho equivale a uma redução da taxa de câmbio, que passaria, assim, a estar sobrevalorizada em apenas 9,4% em relação ao início dos anos 90. ‘‘Este aumento (do câmbio relativo) subestima a necessidade premente de reformas setoriais para reduzir o custo de fazer negócios no País, já que o Custo Brasil era provavelmente alto em 1992’’, afirma o banco.
O relatório não sugere uma desvalorização do real como forma de estimular as exportações, nem apóia todas as medidas defendidas pelo governo para diminuir o Custo Brasil. As principais ressalvas são feitas à redução dos encargos sociais, apontada pela equipe econômica como uma das principais possibilidades de redução do Custo Brasil. ‘‘Uma redução nos encargos sociais, com uma severa perda fiscal ao governo, teria aparentemente um impacto menor nos custos das empresas do que se acredita, ficando em cerca de 4%’’, diz o relatório.
As principais reformas para reduzir o Custo Brasil, segundo o Banco Mundial, seriam a portuária e a tributária. A avaliação é de que o sistema portuário poderia ser melhorado de maneira a reduzir em 6% os custos dos exportadores.

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