A partir da operação de venda de ações, o Banco do Brasil mudará inteiramente seu modelo de gestão. Permanecerá estatal, inclusive com o governo compondo a maioria no conselho de administração, com cinco dos nove membros, mas sua gestão ganhará características de banco privado. O que garantirá isso será a particularidade de ter a totalidade de suas ações ordinárias, com direito a voto, o que dá aos acionistas minoritários meios para dividir a composição da diretoria com o governo, fiscalizar de perto as decisões dos diretores e, nas assembléias, denunciar atos que considerem contrários aos interesses do banco e votarem em bloco contra propostas do representante do governo.
Esse novo modelo, acreditam especialistas em mercado de capitais, forçará a uma gestão responsável, profissional e transparente, deixando para trás o longo passado de uso político do BB por governantes, na medida em que a vigilância do acionista minoritário torna muito mais difícil a concretização de operações de crédito lesivas aos cofres do banco.
Na primeira gestão do governo FHC, o contribuinte brasileiro bancou a capitalização de R$ 8 bilhões no BB, decorrente de um enorme déficit acumulado ao longo de muitos anos e resultante de créditos não pagos, contraídos por empresas e pessoas físicas, muitas vezes apadrinhados por políticos e governantes.
No final do ano passado, em meio ao clima confuso do racionamento de energia, o governo anunciou ter desistido de privatizar Furnas Centrais Elétricas, mas decidiu levar adiante uma operação de pulverização das ações, inclusive com garantia de uso dos recursos do FGTS. A idéia era manter Furnas estatal, com 51% das ações em poder do estado, mas democratizar seu capital, vendendo ações para o grande público. Para isso seria necessário dar independência à empresa independente, tirá-la de dentro da Eletrobrás, de quem Furnas é subsidiária.
O primeiro prazo para ocorrer o ato legal de separação venceu em 31 de maio, não foi cumprido, foi prorrogado para 31 de agosto, também não será cumprido. Segundo Eleazar de Carvalho, não haverá mais tempo e o governo decidiu desistir.

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