Banco foi alertado das irregularidades
Em 2003, o departamento jurídico do BNDES alertou sua diretoria sobre a irregularidade da situação, ressaltando que a transferência da gestão dos créditos, da forma como havia sido feita, desrespeitava a Lei das Licitações (8.666/93).
Como se depreende dos textos descritos, o BNDES estava ciente, desde a intervenção no Bamerindus, da necessidade de se solucionar o impasse, uma vez que a cessão informal da carteira carecia de legalidade (conforme constatado pela assessoria jurídica do banco), escreveu o TCU.
Os pagamentos ao BNDES também eram irregulares, diz o tribunal. O HSBC depositava valores recuperados, mas sem informar a quais devedores estavam relacionados. O dinheiro era mantido numa conta de depósitos não identificados. Na venda da carteira, o BNDES não sabia nem mesmo informar quanto valiam os créditos ainda pendentes.
O HSBC recebia, à margem da legalidade, os valores pagos pelos devedores dessa carteira. Apesar de ter ciência do crescente problema, o BNDES não tomou qualquer decisão sobre o assunto, tendo abandonado uma carteira de crédito de R$ 1,66 bilhão nas mãos do HSBC, ressaltou o TCU.
O BNDES arbitrou o preço de venda da carteira, utilizando um formato bastante favorável ao HSBC. De um lado, corrigiu o total da carteira por (Taxa Média de Longo Prazo (TJLP) mais 0,5%, a partir do saldo verificado em março de 1997. De outro, aplicou Selic (taxa básica de juros da economia) sobre a soma dos valores recuperados pelo HSBC, resultando em
R$ 1,641 bilhão. Historicamente, contudo, a Selic é muito superior à TJLP. A diferença entre os dois cálculos foi de R$ 8,3 milhões valor da venda.
A pedido da Folha, para a primeira reportagem, o economista Carlos Eduardo de Freitas fez uma estimativa da soma dos créditos ainda a recuperar na data da venda da carteira, em janeiro de 2007.
Empregando taxas e metodologias utilizadas pelo próprio BNDES chegou ao valor aproximado de R$ 650 milhões. O BNDES não contestou o número. (Folhapress)





