Arquivo FolhaNova direçãoFachada do Econômico: dois anos após o Excel ter assumido controle, banco é vendido aos espanhóisO banco espanhol Bilbao Vizcaya anunciou ontem o fechamento de acordo para compra de 55% do controle acionário do Excel Econômico - a décima maior instituição privada do País -, do banqueiro Ezequiel Nasser. O Bilbao, segundo maior conglomerado financeiro da Espanha, com ativos de US$ 139 bilhões, pagou cerca de US$ 500 milhões pelo controle do Excel. Nesse total já estaria incluído o aporte de capital que o BBV deverá anunciar hoje, durante assembléia de acionistas do Excel Econômico. O banco registrou prejuízo de R$ 44,2 milhões em 1997. O negócio foi fechado no fim de semana, na Espanha.
A direção do Excel não informou como ficará a composição acionária. A família Nasser, que tinha 55% do capital, deverá manter uma participação pequena. Os outros sócios eram a Union Bancaire Privée (UBP), com 14% de participação, e o restante estava nas mãos da seguradora norte-americana Cigna e de 17 fundos de pensão.
A venda do Excel Econômico, apenas dois anos depois de o banqueiro Ezequiel Nasser ter assumido o Econômico com recursos do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), foi decidida no ano passado. A dura competição no mercado bancário nacional levou Nasser a enterrar os planos de transformar o Excel num dos cinco maiores do varejo brasileiro. Segundo fontes ligadas ao Excel, o contexto bancário passou por mudanças radicais nesse meio tempo, o que levou a direção a concluir que não havia mais espaço para bancos de médio porte. ‘‘O Excel não tinha escala para competir com o HSBC, Citibank e Santander’’, diz a fonte. As recentes megafusões ocorridas nos Estados Unidos precipitaram a decisão de vender o banco.
Há mais de um ano o Bilbao Vizcaya vem rondando o mercado brasileiro, o maior da região, e onde ainda não havia colocado sua marca, além do Chile. O Bilbao Vizcaya tinha interesse no Noroeste - mas perdeu para o rival Santander -, no Bandeirantes, agora nas mãos da portuguessa Caixa Geral de Depósitos, e quase fechou negócio com o BCN, que acabou no colo do Bradesco.
Com a compra de 55% do controle do Excel Econômico, o BBV entra no mercado como o terceiro maior banco estrangeiro e ocupando o 10º lugar no ranking das instituições privadas. Na frente do seu arqui-rival, o Santander, o maior da Espanha, em ativos e agências. As duas instituições travam uma acirrada disputa nos mercados onde atuam e no País não deverá ser diferente. O BBV entra com um total de 219 agências, 62 mais que o Santander, e negocia a possibilidade de abrir 400 agências. O Santander já tem autorização do Banco Central para abrir 141 agências. O ponto forte do BBV é o seu sistema de concessão de crédito, o que lhe garante uma das taxas de inadimplência mais baixas entre os bancos do mundo, diz o diretor da Ernest & Young, Paulo Feldmann. Dos bancos de varejo globais com forte atuação na América Latina era o único que faltava desembarcar no Brasil.
Tudo indica que o interesse do Bilbao pela América Latina, de onde pretende tirar 30% de sua receita total até o ano 2000, não terminou com essa compra. O banco pretende investir US$ 3,5 bilhões na região em três anos. O Bilbao é um banco jovem. Nasceu em 1988, resultado da fusão de outras instituições. Com sede na cidade basca de Bilbao, o BBV está presente em 33 países, empregando mais de 60 mil pessoas.

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